Rio de Janeiro (RJ) – O cenário para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, começou a mudar na última semana. Com a transição oficial para a administração da Aena, a concessionária espanhola desenhou uma estratégia ambiciosa para o terminal carioca: a meta é ampliar drasticamente a oferta de conexões internacionais e aumentar a frequência das rotas já consolidadas até janeiro de 2027.
O plano detalhado pela empresa prevê, inicialmente, o incremento de 50 frequências semanais para nove destinos que já possuem operação, como Paris, Miami, Frankfurt, Lisboa, Porto, Santiago, Córdoba, Atlanta e Cidade do Panamá. O horizonte da companhia, porém, vai além da manutenção do que já existe. A expectativa é inaugurar ou retomar voos diretos para outras nove metrópoles estrangeiras, incluindo Nova York, Dallas, Toronto, Montreal, Assunção, Lima e as cidades argentinas de Salta, Mendoza e Rosario.
A movimentação de passageiros serve como termômetro para essa expansão. Após encerrar 2025 com 17,5 milhões de pessoas circulando pelo terminal, a estimativa para o fechamento deste ano gira em torno de 19 milhões. O número, embora relevante, mantém o aeroporto operando bem abaixo de sua capacidade máxima instalada, que chega a 37 milhões de passageiros anualmente. Para o governo federal, o Galeão possui a infraestrutura ideal para se consolidar como o segundo grande hub internacional do país, dividindo esse protagonismo com Guarulhos.
Investimentos em infraestrutura e logística
A estratégia de retomada não se limita ao ar. A concessionária coordena um pacote de R$ 1 bilhão em aportes, a serem executados por parceiros nos próximos três anos. O projeto engloba a edificação de um hotel de 232 quartos — estrategicamente localizado entre os dois terminais —, um novo galpão voltado ao setor logístico e a construção de um hangar de manutenção para a Gol. Melhorias operacionais, como a substituição de elevadores e esteiras de bagagem, também foram elencadas, embora os valores específicos para essas reformas internas não tenham sido detalhados.
Sobre o Terminal 1, que permanece inativo há uma década, a postura da empresa é de cautela: qualquer reabertura dependerá estritamente da pressão de demanda e do fluxo real de passageiros no sítio aeroportuário.
O dilema do Santos Dumont
A política para o Aeroporto Santos Dumont permanece como o ponto de equilíbrio de todo esse ecossistema. A restrição de 6,5 milhões de passageiros anuais no terminal do centro carioca, vigente desde 2023, continua mantida até 2029. O governo mantém a perspectiva de que essa limitação seja gradualmente flexibilizada a partir de 2027, atingindo 9,5 milhões de passageiros em 2028 e liberando totalmente a capacidade no ano seguinte.
Caso o cronograma sofra alterações e as restrições ao Santos Dumont sejam prorrogadas, o contrato de concessão do Galeão prevê cláusulas específicas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, qualquer decisão que mantenha o limite abaixo do previsto resultará em um processo de reequilíbrio contratual em desfavor da atual concessionária, garantindo a proteção dos investimentos privados feitos na unidade.












