Há exatos 20 anos, São Paulo vivia um cenário de guerra civil que ficou marcado na história como os Crimes de Maio. Tudo começou em 12 de maio de 2006, véspera do Dia das Mães, após a transferência de 765 detentos — incluindo o líder do PCC, Marcola — para uma unidade de segurança máxima. O jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso, do NEV-USP, descreve o episódio como uma “bomba” que atingiu a capital, desencadeando rebeliões simultâneas em 74 presídios e ataques coordenados contra delegacias, viaturas e agentes públicos.
O clima de pânico tomou conta da cidade, deixando ruas desertas e a população em estado de choque. A produtora cultural Mônica Trindade, que deu à luz sua filha Helena durante o auge dos ataques, relata a tensão vivida ao tentar chegar à maternidade na Avenida Paulista. Sob o medo constante de represálias, o trajeto foi interrompido por policiais em alerta máximo, refletindo o desespero de uma metrópole que não sabia distinguir boatos de fatos reais enquanto o conflito se espalhava.
Estudos da Clínica de Direitos Humanos de Harvard e da Justiça Global apontam que a violência não foi motivada apenas pela transferência de presos, mas também por um histórico de corrupção policial e falhas no sistema prisional. Após os ataques iniciais, o Estado iniciou um revide violento, resultando em mais de 500 mortes em nove dias, muitas com indícios de execução. O episódio, frequentemente comparado ao “11 de setembro” paulistano, permanece como um divisor de águas na segurança pública do Brasil.






























































































