São Paulo (SP) – O governo federal oficializou, nesta quarta-feira (1º), a abertura do Escritório Nacional Antifacção de São Paulo. A estrutura, alocada na região da Luz, no centro da capital paulista, serve como o braço operacional do Programa Brasil contra o Crime Organizado, funcionando como um ponto de convergência para o intercâmbio de dados entre instâncias estaduais, municipais e da União.
Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública, esteve presente na inauguração. Para o titular da pasta, o combate efetivo ao crime não pode ser gerido remotamente a partir de Brasília. A estratégia exige presença física em territórios estratégicos, mantendo um diálogo constante com polícias, Ministérios Públicos e o setor financeiro.
O foco principal da unidade, segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, é a asfixia financeira das organizações criminosas. A escolha por São Paulo para sediar o escritório ocorre em razão da importância econômica do estado, que serve como epicentro para as manobras financeiras dessas facções. Benedito Mariano, ex-ouvidor das Polícias de São Paulo, assumiu a coordenação dos trabalhos, que futuramente serão expandidos com a abertura de unidades similares no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu.
Além da inteligência financeira, o ministério detalhou um plano de intervenção em 138 unidades prisionais pelo país. O objetivo é elevar o padrão de segurança e controle, espelhando-se no modelo federal de isolamento e monitoramento intensivo de lideranças criminosas. O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, confirmou que os presídios contemplados foram mapeados conforme a presença de facções. O aporte federal viabilizará a aquisição de scanners corporais, geo-radares, além de sistemas de identificação de celulares e rastreamento eletrônico.
Durante o evento, o ministro da Justiça também abordou as sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contra dois brasileiros e três empresas do Brasil, sob a suspeita de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Foi a primeira vez que Washington aplicou medidas desse tipo após a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas na esfera americana.
Wellington César reforçou que tais sanções possuem efeito restrito ao território norte-americano e não possuem caráter de extraterritorialidade. O governo brasileiro, segundo o ministro, defende o aprofundamento da cooperação internacional, desde que respeitada a soberania nacional. Chico Lucas reiterou a posição, salientando que o Brasil mantém abertura para colaborar com organismos estrangeiros, contanto que o ordenamento jurídico do país seja rigorosamente preservado.




































































































