Rio de Janeiro (RJ) – O reconhecimento oficial da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) chega agora a bares, restaurantes e centros culturais que consolidam a cultura negra como eixo central de suas atividades. A concessão do Diploma Abdias Nascimento, proposta pela deputada Dani Monteiro (PSOL-RJ), formaliza a relevância do afroturismo e do afroempreendedorismo para o estado, destacando como essas iniciativas preservam memórias ancestrais enquanto movimentam o mercado regional.
A lista de homenageados reflete a diversidade dessas práticas. Entre os nomes selecionados estão o Borogun, a Kaza 123, o Agô Bar da Encruza e o Ateliê Bonifácio. O Quilombo Cultural Casa do Nando também integra o grupo, ao lado do chef Vagner Luiz e dos restaurantes Dois de Fevereiro e Cheirinho de Dendê. Para a parlamentar responsável pela iniciativa, esses espaços não se limitam apenas à gastronomia; eles atuam como pontes que unem território, tradição e a necessária geração de renda dentro das comunidades.
A iniciativa ganha um peso estatístico quando observamos o cenário demográfico fluminense. Dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, apontam que 58% da população do Rio de Janeiro se autodeclara preta ou parda. O prêmio, portanto, valida uma parcela expressiva da identidade do estado que, historicamente, moldou os hábitos, a economia e as manifestações culturais de seu povo.
Criado pela Alerj, o Diploma Abdias Nascimento possui um caráter de salvaguarda. A honraria é destinada a personalidades ou instituições que se posicionam na linha de frente da luta pela igualdade racial e pelos direitos humanos, garantindo que a pluralidade da cultura negra receba o devido prestígio nas esferas legislativas. Ao premiar esses empreendedores, a Assembleia busca chancelar um modelo de negócio que entende a cultura como motor de desenvolvimento sustentável e dignidade social.












