Rio de Janeiro (RJ) – O Largo de São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro, serviu de cenário na última quinta-feira (1º) para uma demonstração técnica que precedeu a 21ª edição da Conferência Internacional da World Association for Symphonic Bands and Ensembles (WASBE). A Rio Brass Band, escolhida para abrir os caminhos do evento, aproveitou a acústica privilegiada da Igreja de São Francisco de Paula para marcar seu quarto aniversário.
O festival WASBE, programado para ocorrer entre 20 e 26 de julho de 2026, com atividades divididas entre o Rio e Niterói, atrairá músicos de diversos países. Segundo Marcelo Jardim, diretor executivo do Comitê Organizador Local e vice-diretor da Escola de Música da UFRJ, a escolha do templo religioso não foi casual: a combinação entre a estética clássica do local e a qualidade acústica rara na capital fluminense oferece uma experiência sonora diferenciada para conjuntos de metais.
Sob a regência de Elias Campos, o concerto destacou a singularidade da Rio Brass Band, única na cidade a trabalhar exclusivamente com instrumentos de metais e percussão. Para o maestro, a formação é distinta das orquestras tradicionais, onde os metais geralmente desempenham papéis coadjuvantes. Ali, cada integrante atua como solista. O uso de instrumentos com formato cônico, que evitam sons agressivos mesmo em passagens de maior intensidade, confere ao grupo uma sonoridade próxima aos antigos corais renascentistas.
O repertório foi desenhado para interagir com a arquitetura do espaço. A execução de Horizon, de Paul Lovatt-Cooper, foi o ponto alto do programa, com a banda posicionada estrategicamente para dividir os músicos em dois corais em lados opostos do altar, explorando a reverberação natural da igreja.
A gênese da Rio Brass Band remonta a 2022, idealizada pelo 3º sargento do Corpo de Bombeiros, Kenneth Anderson Gomes de Araújo. Pernambucano e formado nas bandas marciais de seu estado, Araújo buscou replicar no Rio a tradição das Brass Bands europeias, integrando o repertório brasileiro a essa estrutura. O grupo, que reúne músicos dos Fuzileiros Navais e dos Bombeiros, tornou-se um símbolo de resiliência cultural.
O projeto impulsionou a cena local. O interesse pela formação de metais, que antes era restrito a ambientes escolares, ganhou fôlego profissional, incentivando compositores como Gilson Santos, Jessé Souza e Hugo Rosa a criarem obras inéditas. O sucesso da iniciativa carioca já ecoa em outras regiões do país, com a formação de grupos similares em São Paulo, Manaus e Curitiba, consolidando um novo movimento musical que agora se prepara para o palco global da WASBE.


































































































