Rio de Janeiro (RJ) – O Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro, obteve uma vitória estratégica na Justiça para tentar reaver R$ 481,5 milhões investidos. O montante estava alocado no Fundo Revolution, gerido pelo Grupo Master, instituição que recentemente entrou sob os holofotes do judiciário em meio a crises de liquidez. A liminar concedida pela 10ª Vara da Fazenda Pública da Capital não apenas autoriza o resgate integral dos valores, como também impõe um severo bloqueio de bens dos envolvidos para blindar o patrimônio dos aposentados e pensionistas fluminenses.
A decisão, assinada pela juíza Aline Massoni, mira diretamente a Master Corretora, a Acura Gestora de Recursos e seus respectivos administradores. Além de travar o patrimônio pessoal dos executivos e das empresas envolvidas, o despacho judicial determina a realização de uma auditoria externa e independente para mapear a real saúde financeira do fundo de investimento. A liquidação desses ativos está programada para ocorrer até o dia 17 de agosto de 2026, mas o temor de que os recursos simplesmente desaparecessem antes do prazo motivou a ação urgente do Estado.
Sinais de alerta e liquidez duvidosa
A ofensiva jurídica, estruturada pela Procuradoria-Geral do Estado do Rio (PGE-RJ), ganhou força após a decretação da liquidação extrajudicial da Master Corretora, que administrava o Fundo Revolution. O Rioprevidência iniciou os aportes em maio de 2025, injetando os R$ 481,5 milhões. Quando o cenário na corretora se deteriorou, o instituto tentou primeiro um resgate parcial e, diante das dificuldades, solicitou a retirada total de suas cotas. Foi quando os técnicos do Estado começaram a notar inconsistências graves na carteira de ativos do fundo.
Os documentos que embasaram o processo revelaram que os recursos dos servidores estavam atrelados a títulos de liquidez altamente duvidosa. Na prática, o Fundo Revolution operava com baixa transparência, expondo o dinheiro público a riscos desproporcionais e adotando práticas que, segundo a análise jurídica, contrariavam frontalmente os interesses dos cotistas. Diante das evidências, a juíza entendeu que havia risco iminente de perda dos valores se medidas drásticas não fossem tomadas de imediato.
Bloqueio total de ativos
A decisão judicial veda expressamente qualquer manobra que atrase ou dificulte o pagamento dos valores ao Rioprevidência. A Master Corretora tem o prazo de 15 dias para apresentar o relatório detalhado da auditoria externa sobre seu patrimônio. Paralelamente, o cerco aos bens da Acura Gestora de Recursos e de seus diretores foi fechado de forma ampla. A medida cautelar autoriza o confisco de contas bancárias, imóveis, veículos, embarcações, aeronaves, marcas registradas, participações em sociedades empresariais, planos de previdência privada aberta, títulos de capitalização e até mesmo moedas digitais, como criptomoedas.
Esse embate não é um fato isolado na história recente do fundo estadual de previdência. Esta é a segunda liminar favorável obtida pela PGE-RJ e pelo Rioprevidência contra braços do Grupo Master em um curto espaço de tempo. Na quinta-feira (23), o judiciário já havia determinado o congelamento de ativos para assegurar a recuperação de outros R$ 135,1 milhões perdidos em aplicações no Fundo Texas I FIA. Com o novo bloqueio, o Estado tenta estancar um ralo financeiro que ameaça as garantias futuras de milhares de famílias que dependem da previdência pública fluminense.
































































































