Ibatiba (ES) – O STF retirou de sua pauta desta tarde o julgamento que definiria o rito para a escolha do próximo governador do Rio de Janeiro. A decisão pegou de surpresa quem acompanhava o impasse jurídico, mas o motivo foi técnico: a Corte optou por privilegiar a análise sobre a aplicação da Lei Maria da Penha em cenários que extrapolam a esfera doméstica.
Ainda não há previsão para que o plenário retome a discussão sobre o mandato-tampão. O processo estava parado desde abril, momento em que o ministro Flávio Dino solicitou vista dos autos. Até o presente estágio, a tendência na Corte é favorável ao modelo indireto, com um placar parcial de 4 votos a 1.
No centro do debate está a contestação do PSD. O diretório estadual da legenda insiste na tese de que o comando do estado deveria passar por eleições diretas, mobilizando o voto popular. O TSE, por outro lado, já havia batido o martelo pela via indireta, delegando aos deputados da Alerj a responsabilidade de escolher o sucessor. O desgaste institucional é reflexo direto de uma sucessão de decisões que esvaziaram o Palácio Guanabara.
A crise de comando começou em 23 de março, quando o TSE declarou o ex-governador Claudio Castro inelegível. A medida veio acompanhada da ordem para a realização de eleições indiretas. A situação administrativa agravou-se com a saída do ex-vice-governador Thiago Pampolha, que deixou o Executivo em 2025 para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. Com a vaga de vice aberta, o caminho parecia natural até o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar.
Contudo, Bacellar também foi atingido pelo martelo do TSE. Ao ser cassado na mesma sentença que afastou Castro, o parlamentar perdeu a prerrogativa sucessória e deixou suas funções. Sem titulares e sucessores imediatos, o Rio de Janeiro vive uma interinidade comandada pelo presidente do TJRJ, Ricardo Couto de Castro, que ocupa a cadeira de governador de forma provisória.
O adiamento do julgamento no STF prolonga um vácuo de legitimidade política que preocupa diferentes setores da sociedade fluminense. Enquanto o Supremo não sela o destino do mandato-tampão, o Estado segue sob gestão de transição, aguardando que o tribunal decida se a palavra final sobre o ocupante do Executivo será dada pelas urnas ou pelo plenário da Alerj.












