Rio de Janeiro (RJ) – O ambiente digital tornou-se um palco crítico para a violência de gênero no Rio de Janeiro. Em 2025, o estado registrou uma média diária de 16 meninas e mulheres alvos de crimes morais e psicológicos pela internet, totalizando 5.970 ocorrências. O salto é drástico: em uma década, esse tipo de violação cresceu mais de 1.300%. Em 2015, o primeiro ano da série histórica, o número não passava de 239 registros.
O Dossiê Mulher 2026, divulgado nesta quarta-feira (1º), aponta que, no ano passado, 159.041 mulheres sofreram algum tipo de agressão no estado — um ritmo alarmante de 18 vítimas a cada hora. Entre as atingidas, a maioria é composta por mulheres negras, solteiras e com idades entre 18 e 29 anos.
A ascensão do discurso misógino online
Um dos pontos inéditos do levantamento é a análise sobre a disseminação de ideologias como o movimento redpill. Esse grupo defende uma visão “masculinista” que prega a submissão feminina e o domínio masculino, adaptando-se para inflamar discursos de ódio em plataformas como o X (antigo Twitter). A diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP), Bárbara Caballero, alerta que o público jovem é o principal alvo dessa retórica, o que representa um retrocesso preocupante para a sociedade.
Além da agressão psicológica, a tecnologia também está sendo usada para violar a segurança física das vítimas. Em 2025, uma em cada dez quebras de medidas protetivas de urgência ocorreu por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou até pelo uso de transferências via PIX para monitorar e perseguir mulheres.
Feminicídio e violência física
A violência física permanece como a segunda maior causa de denúncias, somando 43.307 vítimas no ano, ou seja, uma ocorrência a cada 12 minutos. A lesão corporal dolosa, muitas vezes cometida por companheiros ou ex-companheiros, lidera essas estatísticas. No cenário dos 105 feminicídios registrados em 2025, o drama é silencioso: 83,8% dos assassinatos ocorreram dentro da própria casa. O ciúme, a separação e discussões banais foram os gatilhos em quase 80% dos casos.
Chama a atenção o histórico das vítimas: mais de 70% delas já haviam sofrido violência doméstica anteriormente, mas não chegaram a buscar auxílio oficial. Além disso, 59% das mulheres mortas eram mães, deixando um rastro de órfãos menores de idade.
Vulnerabilidade sexual
O quadro de violência sexual afetou 8.681 vítimas em 2025, com foco alarmante em meninas de 13 anos. O estupro de vulnerável foi o crime mais frequente, atingindo 3.415 pessoas. Em quase metade dessas situações, a violência ocorreu no ambiente doméstico, sendo que em 21,3% dos casos os agressores eram pais ou padrastos. Enquanto o assédio sexual registrou queda, a importunação sexual subiu 11,6%, reforçando o desafio enfrentado pelas 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) do estado, que processam uma denúncia a cada 12 minutos.




































































































