Rio de Janeiro (RJ) – O reconhecimento de políticas corporativas voltadas à equidade racial colocou o Rio de Janeiro em evidência na 2ª edição do Prêmio de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio Exterior. Duas empresárias fluminenses tiveram suas trajetórias e modelos de gestão validados pelo programa, que é fruto de uma articulação entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério da Igualdade Racial e a ApexBrasil.
Ao todo, sete companhias brasileiras foram selecionadas por seus esforços em impulsionar profissionais negros a posições de comando, combatendo lacunas históricas no mercado. Entre os destaques locais estão a The Class Professional e a Dani Embalagens Plásticas.
A The Class Professional, dirigida pela cosmetóloga e terapeuta capilar Cátia Lins, carrega em seu DNA uma resposta às demandas de um público historicamente negligenciado pela indústria. O projeto surgiu em 2016, impulsionado pela própria experiência de Cátia, que, durante anos, sentiu a pressão social para alisar o cabelo. Mais do que produtos, a empresa aposta em um tripé que une ciência, educação técnica e fortalecimento da autoestima. Para ela, o negócio vai além do faturamento: trata-se de fomentar o empreendedorismo e qualificar mão de obra em um nicho que valoriza a identidade nacional.
Do outro lado, a Dani Embalagens, sob a liderança de Danielle Caldas, trilha um caminho ancorado no desenvolvimento interno de talentos. O negócio teve início na simplicidade da garagem da avó de Danielle e hoje mantém uma política rigorosa de progressão de carreira. Caldas aponta que a empresa prioriza o caráter e o potencial do colaborador, permitindo que a liderança seja formada integralmente dentro das instalações da fábrica. O regulamento interno, que inclui desde canais confidenciais para denúncias até tolerância zero ao assédio, busca garantir um ambiente profissional onde a oportunidade de crescimento seja, de fato, para todos.
A cerimônia de premiação, realizada no dia 12, ofereceu aos vitoriosos um suporte estratégico para a expansão internacional. As empresas puderam escolher entre uma agenda de negócios customizada ou o apoio da ApexBrasil em ações de promoção comercial, ferramentas cruciais para quem pretende levar sua marca além das fronteiras brasileiras.
A iniciativa está ligada ao programa Raízes Comex, criado após diagnósticos demonstrarem a sub-representação de mulheres e pessoas negras na cúpula do comércio de importação e exportação. Para a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, a premiação reflete um movimento estruturante do governo. O objetivo é integrar a justiça racial ao projeto de desenvolvimento econômico do país, buscando um cenário socioeconômico mais equilibrado.
O sucesso das empresárias cariocas ilustra, na prática, como a adoção de critérios de diversidade pode se converter em eficiência e sustentabilidade empresarial. Ao transformarem suas vivências em estratégias de mercado, elas não apenas ampliam as próprias fronteiras, mas também alteram as engrenagens de um setor que, até pouco tempo, via essas discussões como distantes de suas metas de produtividade.






































































































