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Economia

China constrói infraestrutura financeira na África para reduzir dependência do dólar

Parceria com maior banco sul-africano viabiliza liquidação direta na moeda asiática, embora transição global ainda caminhe em ritmo lento

Por Redação / Diário da Nação
4 de julho de 2026
em Economia
3 mins read
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China constrói infraestrutura financeira na África para reduzir dependência do dólar

📷 Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

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Brejetuba (ES) – No fim de junho, um movimento silencioso no sistema bancário africano marcou mais um passo na estratégia de Pequim de escapar da órbita do dólar. O Banco Central da China autorizou o uso direto do yuan para transações no Standard Bank, a maior instituição financeira do continente, sediada na África do Sul. A operação ocorre em parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) e alcança as frentes de negócios do Standard Bank em 21 países.

A investida faz sentido prático. Entre 2000 e 2024, o fluxo comercial entre o gigante asiático e os países africanos cresceu, em média, 14% ao ano, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas chinesa. Para impulsionar ainda mais esse intercâmbio, Pequim zerou, em 1º de maio, as tarifas de importação para diversos produtos vindos do continente africano.

O peso real do yuan no comércio global

Apesar do avanço logístico, a moeda chinesa — também conhecida comercialmente como renminbi — ainda ocupa um papel secundário nas transações cotidianas locais. O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, avalia que o cenário atual é de preparação de terreno. Para ele, o país asiático está assentando os trilhos para um futuro trem de alta velocidade, embora o volume atual negociado na moeda chinesa ainda pareça tímido diante do tabuleiro global.

Atualmente, o yuan representa a quinta divisa mais utilizada no comércio internacional, respondendo por cerca de 8,5% das transações globais. A maior parte das commodities vitais, como alimentos e energia, segue cotada na moeda norte-americana.

O dilema de Pequim e a geopolítica do Brics

A redução do uso do dólar é uma bandeira histórica dos países do Brics, bloco do Sul Global que reúne nações como Brasil, China, Índia e África do Sul. O argumento é que a hegemonia monetária de Washington confere privilégios políticos desproporcionais aos Estados Unidos. Essa movimentação encontra forte resistência do outro lado do Atlântico, onde Donald Trump já prometeu agir agressivamente para defender a soberania da moeda americana.

A própria China, contudo, calibra o ritmo dessa transição com extremo cuidado. Fernandes, que também edita a revista Wenhua Zongheng International, lembra que uma desvalorização abrupta do dólar causaria prejuízos gigantescos às reservas cambiais chinesas e às suas empresas exportadoras. Há ainda o receio de Pequim em abrir totalmente sua conta de capitais — mecanismo que facilita a internacionalização da moeda, mas deixaria o sistema financeiro doméstico exposto à volatilidade especulativa global.

Propostas para o Sul Global

Diante desse impasse, outras soluções começam a ser desenhadas. Em junho deste ano, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics, propôs a criação de uma unidade de conta alternativa, baseada em uma cesta de moedas de países em desenvolvimento, para o comércio internacional. Em artigo publicado no centro de estudos moscovita Valdai Discussion Club, o economista ponderou que, embora a rede de pagamentos do Banco Popular da China conecte mais de 40 bancos centrais, a substituição direta do dólar pelo yuan esbarra nos limites de interesse da própria economia chinesa.

A busca por alternativas vai além da teoria econômica. Para analistas, a diversificação de moedas funciona como um escudo contra sanções unilaterais. Fernandes pondera que as flutuações de juros definidas pelo Banco Central norte-americano encarecem a importação de grãos básicos como trigo e arroz em nações pobres, transformando a política monetária de Washington em um fator de insegurança alimentar direta para milhões de pessoas.

Tags: ÁfricaÁfrica paraafricano marcouChinachina constróidólardólar brejetubaGeopolíticainfraestrutura financeiraJunhomovimento silenciosopassoreduzir dependênciasistema bancárioYuan
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