Brasília (DF) – Mesmo sob pressão geopolítica, com as tarifas comerciais impostas pela administração de Donald Trump em Washington e os conflitos em andamento no Oriente Médio, o comércio exterior brasileiro demonstra uma resistência surpreendente. Essa força levou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) a elevar de forma expressiva sua projeção para o fechamento de 2026, apontando para um superávit anual de US$ 90 bilhões.
O valor representa um salto robusto em relação aos US$ 72,1 bilhões estimados anteriormente. Caso a projeção se confirme, o país alcançará o segundo melhor resultado de sua série histórica, ficando atrás apenas do recorde registrado em 2023. O desempenho também significará uma alta de 32,3% na comparação com o saldo positivo de US$ 68,1 bilhões obtido em 2025.
Os ajustes, anunciados nesta sexta-feira (3), são o reflexo direto de um primeiro semestre que superou as expectativas. Entre janeiro e junho, o fluxo comercial do país acelerou nas duas pontas. As exportações avançaram 11,5% nos primeiros seis meses do ano, desafiando um cenário internacional complexo.
Os novos rumos da balança em 2026
Com o cenário atualizado, a expectativa do governo é que as exportações brasileiras atinjam US$ 394,4 bilhões até dezembro — um acréscimo de US$ 30,2 bilhões frente à previsão divulgada em abril. No caminho inverso, as importações estimadas também subiram, passando de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.
Para Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, a revisão é justificada pelo ritmo aquecido das trocas comerciais do país. Segundo ele, houve uma aceleração perceptível tanto nos embarques de produtos para o exterior quanto na entrada de mercadorias estrangeiras, o que inflou a projeção anual.
A força do petróleo e o recorde de junho
Essa dinâmica de aceleração ficou evidente nos dados de junho, divulgados junto com as novas projeções. No mês, o Brasil registrou um saldo positivo de US$ 9,8 bilhões, impulsionado por exportações recordes de US$ 36,3 bilhões — um avanço de 24,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Do lado das compras externas, o total foi de US$ 26,5 bilhões, alta de 14,4%.
O grande motor dessa arrancada foi a indústria extrativa, que viu suas vendas externas crescerem 58,4%. No centro dessa engrenagem esteve o petróleo bruto.
O produto se beneficiou de um cenário duplamente favorável: valorização de preços no mercado internacional e aumento no volume enviado ao exterior. Em comparação com junho do ano passado, o preço médio do barril exportado pelo Brasil subiu 67,6%, enquanto a quantidade embarcada cresceu 6,8%.
Mas o petróleo não trabalhou sozinho. No campo da agropecuária, a soja manteve um ritmo firme de embarques. Já na indústria de transformação, as carnes, os combustíveis e o farelo de soja também deram contribuições importantes para encorpar a balança do mês.
O balanço do primeiro semestre
No acumulado entre janeiro e junho, a balança comercial brasileira estruturou um superávit de US$ 42,4 bilhões. O número supera com folga os US$ 30,2 bilhões acumulados na primeira metade de 2025.
Nesses seis meses, as vendas ao exterior somaram US$ 184,8 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 142,4 bilhões. Os números dão solidez à leitura do governo de que 2026 se encabeça para ser um ano histórico nas relações comerciais do Brasil com o mundo.





































































































