Brasília (DF) – Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb 2025, trazem um diagnóstico agridoce sobre as salas de aula brasileiras. Divulgados pelo Ministério da Educação nesta quarta-feira (5), em Brasília, os números revelam que, embora o país tenha conseguido retornar aos patamares de proficiência registrados em 2019, o desafio de garantir um aprendizado sólido para todos os estudantes está longe de ser superado. Há uma melhora clara em língua portuguesa e matemática, mas a velocidade desse progresso varia drasticamente conforme a etapa escolar.
O cenário mais otimista reside nos anos iniciais do ensino fundamental. Entre 1º e 5º ano, a nota padronizada saltou de 5,9 para 6,2 no intervalo de dois anos. Nas escolas públicas, o desempenho já superou o período anterior à crise sanitária, atingindo o que se considera um nível adequado de aprendizado. É, sem dúvida, o avanço mais robusto registrado entre os segmentos avaliados.
Contudo, a trajetória perde fôlego à medida que o aluno avança na educação básica. Nos anos finais do fundamental, a nota subiu de maneira tímida, saindo de 5,1 para 5,2, mantendo-se estagnada no patamar básico. No ensino médio, o crescimento de 0,1 ponto, embora coloque o resultado acima de 2019, esconde uma fragilidade crítica: a matemática segue estacionada em níveis abaixo do básico. O acúmulo de defasagens deixadas pelo ensino fundamental, segundo especialistas, cria uma barreira que muitos jovens não conseguem transpor ao chegar ao final da educação obrigatória.
Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, observa que, apesar de a recuperação ser um fato, ela se mostra insuficiente para elevar o patamar qualitativo da educação como um todo. Para ela, a urgência está em colocar a aprendizagem no centro das decisões políticas. O objetivo deve ser frear o descompasso entre o que o jovem espera da escola e a desconexão curricular que, muitas vezes, permeia o ensino médio.
Os números detalhados reforçam essa análise. No 5º ano, a nota de português cresceu de 207,6 para 215,1, enquanto a matemática subiu de 218,3 para 227,4. No 9º ano, a progressão foi mais discreta: português chegou a 256,6 e matemática a 255,3. No 3º ano do ensino médio, os resultados foram de 272,3 em português e 268,0 em matemática. Na rede estadual, que engloba o ensino médio tradicional e técnico, a média em língua portuguesa alcançou 275,8 e, em matemática, 271,4.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, defende que o Brasil superou as expectativas internacionais, que previam um tempo de recuperação entre 10 e 13 anos. Para o governo, a resiliência das redes públicas foi o fator decisivo para encurtar esse ciclo para apenas quatro anos. Barchini aposta que a solução passa por uma melhor alocação de talentos. O governo quer que estados e municípios utilizem os dados da Prova Nacional Docente (PND) 2025 para atrair e fixar professores proficientes em matemática nas redes de ensino.
Por outro lado, a visão técnica sugere que o problema é estrutural e exige mais que contratações. Fregonesi ressalta que apenas a PND não é uma bala de prata. Ela defende a combinação de liderança técnica, apoio pedagógico contínuo e políticas de recomposição de aprendizagem para aqueles que ficaram pelo caminho.
O Saeb 2025 avaliou quase 6 milhões de alunos em mais de 73 mil escolas. Embora os números confirmem que o Brasil saiu da zona de retrocesso causada pelo fechamento das escolas, o ponto de partida de 2019 já era preocupante. A conclusão, portanto, é que recuperar o que foi perdido é apenas o primeiro passo. O grande obstáculo agora é acelerar o ritmo e evitar que o ensino médio continue sendo um funil de desmotivação e lacunas cognitivas para milhões de estudantes.








































































































