Brasília (DF) – O destino da cúpula da Polícia Federal parou na mesa do STF durante a noite de terça-feira, dia 13. A Procuradoria-Geral da República formalizou um parecer contrário ao afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência, Leandro Almada. Para o órgão, o processo carece de elementos probatórios que justifiquem uma medida de tamanha gravidade contra os chefes policiais.
O documento leva as assinaturas do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do seu vice, Hildebrando Chateaubriand, e dos subprocuradores-gerais Antônio Teixeira e André Ramos. A equipe jurídica sustenta que uma sanção dessa magnitude exigiria, no mínimo, evidências claras de envolvimento direto em ilicitudes. O texto destaca que o simples fato de ocuparem posições hierárquicas superiores não transforma, automaticamente, os gestores em responsáveis por eventuais irregularidades, sendo indispensável a demonstração específica de atos suspeitos.
A PGR alerta ainda para as consequências sistêmicas da decisão. Segundo os procuradores, a remoção forçada de ambos os diretores gera um efeito cascata que transborda os limites deste processo isolado, configurando um risco concreto à ordem pública. A manifestação surge no bojo da Operação Compliance Zero, que mira fraudes financeiras bilionárias e episódios de corrupção envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master — instituição liquidada pelo Banco Central em novembro passado por gestão temerária.
O desgaste institucional começou em 8 de setembro, quando o ministro André Mendonça, na condição de relator da operação no STF, determinou o afastamento monocrático de Rodrigues e Almada. Mendonça fundamentou sua decisão sob a acusação de que a dupla estaria envolvida em monitoramento ilícito e na produção de relatórios de inteligência apócrifos sobre suas próprias atividades, sem o aval do colegiado do STF. Na ocasião, o magistrado não consultou a PGR antes de executar o movimento.
O cenário ganhou contornos de incerteza jurídica no dia seguinte. O ministro Flávio Dino revogou o afastamento, argumentando que a saída dos diretores colocaria em xeque o andamento de investigações sensíveis que corriam na PF. A crise só arrefeceu temporariamente após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, anular ambas as decisões — tanto o afastamento inicial de Mendonça quanto a reintegração assinada por Dino — sob a justificativa de restaurar a ordem pública.
A Procuradoria mantém a linha de que, sem o apontamento direto de condutas impróprias, a manutenção da cúpula no cargo deve prevalecer. O debate agora permanece sob análise dos ministros, enquanto o futuro das investigações da Compliance Zero segue condicionado ao desfecho desse embate sobre a condução da inteligência policial.












