Rio de Janeiro (RJ) – Uma proposta para aprimorar o registro de ocorrências de golpe do falso advogado foi formalizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro. A entidade quer que o portal da Polícia Civil do estado ganhe uma opção específica para esse tipo de crime, o que facilitaria o encaminhamento das vítimas e permitiria um mapeamento mais preciso das fraudes. A iniciativa visa dar mais organização aos dados para que as forças de segurança possam combater as ações criminosas de forma mais eficaz.
Desde o início de 2025, a OAB-RJ já contabilizou mais de 3 mil denúncias sobre o golpe. O pedido foi entregue à Secretaria de Segurança Pública em um ofício assinado pela presidente da seccional, Ana Tereza Basilio. Nele, a Ordem solicita a avaliação da viabilidade técnica e administrativa da inclusão da nova categoria, sempre respeitando os procedimentos já adotados pela Polícia Civil.
“É inadmissível que a identidade de profissionais da advocacia seja usada para enganar as pessoas. Essa fraude causa prejuízos diretos à população e, ao mesmo tempo, mancha a imagem da advocacia”, declarou Ana Tereza Basilio. Ela ressaltou que a medida concreta busca proteger tanto os cidadãos quanto os próprios advogados.
A ideia é que o sistema de registro online passe a exibir a opção “Golpe do Falso Advogado” em sua seção de ocorrências. A criação de uma categoria própria, segundo o ofício, pode não apenas simplificar a formalização das denúncias, mas também fortalecer a colaboração entre a OAB-RJ e os órgãos de segurança pública, centralizando informações cruciais.
Criminosos têm se aproveitado de nomes, fotos, números de inscrição e outros dados de advogados reais para conferir uma falsa credibilidade às suas abordagens. O objetivo é induzir as vítimas a efetuarem pagamentos ou a fornecerem dados pessoais e financeiros sensíveis. A OAB-RJ também produziu uma cartilha para alertar sobre o crime, que tem crescido em todo o país e gera desconfiança nas instituições.
A presidente da entidade alerta para a necessidade de vigilância e frisa que não se pode permitir que estelionatários explorem a vulnerabilidade alheia e a confiança na profissão. Os golpistas frequentemente consultam sistemas de tribunais para obter detalhes de processos, como nomes das partes, valores e contatos dos advogados verdadeiros. Em seguida, criam perfis falsos em aplicativos de mensagem, usando fotos e logotipos de escritórios reais, e anunciam ganhos em processos ou a liberação de alvarás, solicitando transferências via Pix em nome de um falso advogado.












