Serra (ES) – O futebol de elite do Brasil ganhou um novo protagonismo na luta contra a violência de gênero. A categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio, parte do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas, elegeu Bahia, Botafogo e Internacional como finalistas nesta segunda-feira (2). O reconhecimento, que foge das estatísticas puramente esportivas, busca premiar ações institucionais de combate ao assédio e aos crimes de ódio contra mulheres.
A urgência da causa encontra respaldo em dados alarmantes. O relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em março de 2026, contabilizou 1.568 mulheres assassinadas por questões de gênero em 2025. Isso equivale a uma morte a cada cinco horas e 36 minutos — um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. O cenário é agravado pela reincidência doméstica: cerca de 80% das vítimas são atacadas por parceiros atuais ou ex-companheiros, sendo a própria residência o local mais frequente da tragédia.
Para selecionar os finalistas, um júri composto exclusivamente por mulheres — entre jornalistas e especialistas em igualdade de gênero — analisou a profundidade das campanhas. O vencedor será anunciado em 15 de novembro, no Museu do Futebol, em São Paulo, durante a celebração que também premiará destaques como a Craque da Torcida e o Gol Mais Bonito.
O Bahia construiu sua candidatura em duas frentes: a adesão à campanha Feminicídio Zero e a iniciativa Terceiro Tempo. Em parceria com o UNFPA, o clube usou dados do FBSP para alertar torcedores sobre como os dias de partida elevam em quase 30% os registros de lesão corporal e ameaça. A mensagem de impacto ocorreu em agosto, quando o letreiro da Arena Fonte Nova estampou que, para muitas, a permanência no estádio é, naquele momento, mais segura do que o retorno ao lar.
Já o Botafogo aposta na infraestrutura e na memória. O projeto A Hora Delas estabeleceu no Estádio Nilton Santos o primeiro posto de denúncia permanente do Rio de Janeiro. Além disso, o clube viralizou uma iniciativa conjunta com o Corinthians, ao estampar nas camisas nomes de vítimas de feminicídio acompanhados de radiografias reais de lesões. O Internacional, por sua vez, resgatou seu histórico pioneiro de sócias para instalar o Banco Vermelho no Beira-Rio, símbolo italiano contra o sangue derramado pelo feminicídio. Em março, o clube também transformou o telão do estádio em um placar de alerta, mostrando o número de casos registrados no Rio Grande do Sul em tempo real.












