Frankfurt, Alemanha – Frankfurt testemunhou um feito sem precedentes para o esporte brasileiro neste domingo (16). Pela primeira vez na história, a seleção brasileira de ginástica rítmica subiu ao topo do pódio em um Campeonato Mundial, assegurando duas medalhas de ouro inéditas na competição realizada na Alemanha.
A primeira consagração veio na prova de cinco bolas. Sob os acordes de “Feeling Good”, na voz de Michael Bublé, o conjunto executou uma apresentação irretocável que recebeu a nota de 29.450. O julgamento da modalidade considera fatores como grau de dificuldade, execução e composição artística. O desempenho superou a marca de 29.250 obtida no Campeonato Pan-Americano do Rio de Janeiro, em junho, que até então era a maior pontuação global do ano.
Com o resultado, o país deixou para trás as duas últimas campeãs olímpicas e se tornou a primeira nação das Américas a vencer essa prova em um Mundial. A China garantiu a prata ao somar 28.900, enquanto a Bulgária levou o bronze com 28.400.
Apelidada de Leoas, a equipe tem como capitã a alagoana Maria Eduarda Arakaki. O grupo é formado também pela paulista Nicole Pírcio, a capixaba Sofia Madeira, as paranaenses Julia Kurunczi e Mariana Gonçalves, e a amazonense Maria Paula Caminha. Durante as exibições, os movimentos são executados por cinco atletas no tablado, enquanto uma permanece como reserva.
A dobradinha dourada foi consolidada horas mais tarde na final da série mista — que combina três arcos e duas maças, instrumentos semelhantes a pinos de boliche. Embaladas por “Abracadabra”, de Lady Gaga, as ginastas repetiram a pontuação de 29.450 com outra exibição perfeita. Na edição anterior do torneio, disputada no Rio de Janeiro, o grupo havia conquistado a prata nessa mesma categoria. A Espanha, que havia vencido o título geral no sábado (15), ficou em segundo lugar com 29.050, seguida novamente pela Bulgária, que obteve 28.750.
Para a treinadora Camila Ferezin, a conquista coroa uma evolução estruturada ao longo de muito tempo. Ela relembrou que a seleção ocupava a modesta 26ª posição no ranking global quando o projeto teve início. Segundo a técnica, o grupo precisou passar por anos de erros, acertos, lágrimas e renúncias diárias para aprender a competir de igual para igual com as principais potências e, finalmente, alcançar o topo do mundo.






































































































