Washington, Estados Unidos – O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos oficializou, nesta quarta-feira (1), uma bateria de sanções contra dois brasileiros e quatro empresas. O motivo é o suposto envolvimento do grupo com a facção criminosa PCC, o Primeiro Comando da Capital. Esta é a primeira ação dessa natureza tomada por Washington desde que as facções brasileiras passaram a ser classificadas pelo governo americano como organizações terroristas.
No centro das investigações aparecem Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, ambos com residência em São Paulo. As autoridades norte-americanas sustentam que Shimada atuava como o elo operacional entre integrantes da facção na Flórida e redes internacionais de tráfico. A acusação é grave: o empresário teria movimentado mais de US$ 30 milhões utilizando criptomoedas para escoar os valores de volta ao Brasil. Já Stella, que além de parente atuava como sua secretária, seria a responsável pelo suporte logístico, incluindo a coleta de montantes vultosos em espécie.
O histórico de Shimada já despertava atenção das autoridades brasileiras. Em janeiro de 2025, ele chegou a ser colocado em prisão domiciliar no país, sob a suspeita de utilizar uma de suas empresas para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol, esquema que envolvia fraudes publicitárias.
O cerco americano também atingiu o braço corporativo do esquema. Foram bloqueadas as operações de quatro companhias: as paulistanas Victory Trading, Pixwave e Wave, além da portuguesa Avenidas Flutuantes, baseada nos arredores de Lisboa. O portfólio das empresas é variado, abrangendo desde o setor financeiro e construção civil até transporte e armazenagem de cargas.
Gene Lange, subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, explicou em comunicado que o objetivo central da investida é frear a expansão do PCC dentro dos Estados Unidos. Washington quer evitar que a estrutura do crime organizado no Hemisfério Ocidental consiga se enraizar em solo americano.
A ofensiva foi desenhada a partir de uma investigação robusta conduzida pela Força-Tarefa do Departamento de Segurança Interna. A operação contou com o braço operacional do FBI em Miami e o suporte especializado do setor de combate à lavagem de dinheiro do Departamento de Justiça.
Na prática, as sanções impõem um bloqueio total a qualquer bem que os alvos possuam nos Estados Unidos. Além disso, a determinação cria uma zona de isolamento financeiro: qualquer pessoa ou instituição financeira que tentar realizar transações ou negociar com os sancionados pode, por extensão, se tornar alvo das autoridades americanas.


































































































