Washington, Estados Unidos – O Irã manifestou disposição para enfrentar a mais recente ofensiva econômica dos Estados Unidos, que busca aprofundar o isolamento do país. Em Teerã, a expectativa é que os principais parceiros comerciais ignorem a pressão exercida por Washington. O governo iraniano alega, inclusive, que a Casa Branca estaria interessada em reatar o diálogo político, uma sugestão reforçada pela entrega de uma mensagem norte-americana por meio do chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir.
Na segunda-feira (24), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apresentou um novo pacote de sanções abrangendo 60 indivíduos, entidades e navios. Apesar do tom rigoroso, Bessent evitou punições mais severas de imediato, concedendo um prazo para que países se ajustem à nova diretiva. O risco para quem ignorar a orientação é claro: a exclusão do sistema financeiro dolarizado. No entanto, o secretário manteve silêncio sobre quais nações seriam alvos prioritários ou quando as medidas de fato apertariam o cerco.
Um ponto notável na lista de sanções foi a ausência de instituições financeiras chinesas. Pequim, a maior importadora de petróleo iraniano, reagiu nesta terça-feira afirmando que sua cooperação com o Irã respeita o direito internacional e não admite interferências externas. Analistas apontam que a cautela de Washington reflete o temor de represálias por parte da China — especialmente no fornecimento de minerais críticos — às vésperas do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, agendado para o próximo mês.
Enquanto o tabuleiro geopolítico se movimenta, o mercado de energia reage com desconfiança. Pelo segundo dia consecutivo, os preços do petróleo recuaram, indicando que investidores não enxergam, ao menos por ora, uma paralisação efetiva no fluxo da commodity. Contudo, a tensão na região permanece palpável. Nesta mesma data, a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido registrou que um petroleiro foi atingido por um projétil desconhecido a 17 km de Ash Shishah, em Omã, próximo à entrada do Estreito de Ormuz.
O cenário é de incerteza desde o fracasso de um acordo provisório selado em junho, que visava encerrar as hostilidades iniciadas em fevereiro após ataques dos EUA e de Israel. A mediação agora recai sobre o Paquistão. Segundo forças armadas paquistanesas, houve progressos significativos em conversas recentes em Teerã, focadas em conter uma escalada militar e garantir a desobstrução do Estreito de Ormuz. O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, classificou as tratativas como construtivas, sugerindo que, por trás da retórica pública de resistência, existem esforços discretos para evitar um conflito total.









