Nusa Tenggara Oriental, Indonésia – O feriado nacional que deveria celebrar a emancipação da Indonésia transformou-se em uma corrida desesperada pela sobrevivência nesta segunda-feira (17). No leste do país, equipes de resgate vasculham estruturas colapsadas após um forte terremoto deixar pelo menos 68 mortos. O balanço anterior apontava 54 vítimas, mas o avanço das buscas sob as ruínas revelou um cenário ainda mais devastador nas últimas horas.
Berton SP Panjaitan, integrante da Agência de Mitigação de Desastres da Indonésia, confirmou a atualização do número de óbitos e informou que o total de feridos já ultrapassa a marca de 200 pessoas. Trata-se do pior desastre sísmico registrado no arquipélago desde 2022, quando centenas de pessoas perderam a vida em Java Ocidental. Agora, o medo de novos tremores mantém milhares de famílias longe de suas casas, abrigadas de forma improvisada em acampamentos montados ao ar livre.
Rotina sob sobressaltos e réplicas constantes
A terra não para de tremer na província de Nusa Tenggara Oriental. Até esta segunda-feira, a região contabilizou quase 1.600 abalos secundários, incluindo um novo tremor de magnitude 5,6 registrado pela agência de geofísica logo no início do dia. Além de minar o aspecto psicológico da população, os abalos provocaram deslizamentos de terra que bloquearam vias de acesso cruciais em distritos como Sikka e Manggarai, dificultando o tráfego de ambulâncias e a chegada de insumos básicos.
Nos arredores de Ende, uma das áreas mais afetadas, a tensão física e emocional se materializa no estacionamento de um posto de saúde danificado. Entre macas e tendas improvisadas, o agricultor Firmus Woge, de 64 anos, tenta controlar uma crise grave de asma desencadeada pelo pânico. Ele relata que a falta de ar começou ainda na noite anterior e piorou drasticamente após o sismo sentido pela manhã.
Esforço logístico para alcançar isolados
A destruição estimada pela agência local já alcança cerca de 500 residências. Diante do bloqueio terrestre causado pelas barreiras de terra e pedras nas estradas, o chefe do Escritório de Resgate em Maumere, Fathur Rahman, explicou que a estratégia de busca agora prioriza o monitoramento aéreo. Um helicóptero e equipamentos especializados estão sendo utilizados para varrer o território atrás de possíveis sobreviventes isolados.
Paralelamente, aeronaves estão prontas para decolar com carregamentos de mantimentos, água e barracas para os desabrigados. Enquanto o país tenta restabelecer o mínimo de normalidade, o trabalho de busca manual continua nos vilarejos mais isolados, onde o silêncio da data festiva foi completamente substituído pelo barulho de escavadeiras e pelo esforço para salvar vidas.































































































