Rio de Janeiro (RJ) – O sistema de identificação civil tornou-se o foco de uma investida policial coordenada nas primeiras horas do dia. Em uma ação que mobilizou equipes logo cedo, a Polícia Federal deu início à chamada Operação Malebolge, cujo objetivo principal é desarticular uma associação criminosa especializada em fraudar a emissão de inscrições no Cadastro de Pessoas Físicas, o CPF, no estado do Rio de Janeiro.
Os agentes federais saíram às ruas nas primeiras horas da manhã para cumprir um total de oito mandados de busca e apreensão. O perímetro das buscas desenhou um mapa que dividiu a atuação policial de forma estratégica entre a capital fluminense e o município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Dentro da cidade do Rio de Janeiro, o cerco se fechou de forma mais intensa sobre endereços localizados em Jacarepaguá e na Cidade de Deus, bairros situados na zona sudoeste carioca que concentravam as bases operacionais e a atuação de parte do grupo sob suspeita.
O caminho das fraudes
A apuração do caso ganhou corpo a partir da identificação de um padrão de comportamento suspeito. Em diferentes ocasiões, os operadores do esquema tentaram obter as inscrições de CPF junto a postos e unidades de atendimento que funcionam de maneira credenciada pela Receita Federal na região metropolitana.
O método utilizado consistia na apresentação de documentos civis falsificados aos guichês de atendimento. Contudo, a engrenagem da fraude não funcionava de forma isolada. O bando criminoso contava com o suporte direto de funcionários que trabalhavam dentro das próprias unidades credenciadas. Esses colaboradores internos facilitavam a tramitação das solicitações e permitiam que os documentos adulterados passassem pelos crivos de verificação.
As consequências legais para os envolvidos na organização são severas. Os investigados agora podem responder criminalmente pelas condutas de falsificação de documento público e também por corrupção ativa, sem prejuízo de outras tipificações penais. A responsabilização criminal não deve se esgotar nesses pontos, podendo se estender para diferentes delitos na medida em que o avanço das apurações e a análise do material apreendido revelem novas conexões ilícitas.
Referência literária
A escolha do nome que batiza a ação policial guarda uma relação estreita com a literatura clássica. Malebolge é uma menção direta ao universo criado pelo escritor Dante Alighieri na obra A Divina Comédia. Na consagrada narrativa poética italiana, Malebolge representa o oitavo círculo do inferno, local que, segundo a trama do livro, é destinado especificamente à punição de fraudadores e corruptos.


































































































