Aparecida (SP) – Durante a missa solene realizada nesta segunda-feira (12) na Catedral Basílica de Aparecida, o arcebispo metropolitano, Dom Mário Antônio da Silva, aproveitou a data dedicada à Padroeira do Brasil para um apelo contundente. Em sua homilia, proferida às 9h, o religioso cobrou das autoridades — entre elas o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha — um olhar mais atento à fome, à pobreza e à violência que marcam o cotidiano do país.
O sermão centrou-se na ideia de que a fé não permite a indiferença. Dom Mário pediu que a sociedade não ignore famílias desestruturadas, crianças desamparadas ou idosos abandonados. O tom mais político do discurso veio com a defesa explícita de uma cultura de paz. O arcebispo citou o papa Leão XIV ao clamar por uma postura desarmada. Em um momento de divisões acirradas, ele pontuou que o evangelho não legitima o ódio contra quem pensa diferente e muito menos a agressão aos chamados inimigos, enfatizando que o uso de armamentos apenas alimenta o ciclo de conflitos.
Movimentações políticas
Após a celebração, o arcebispo foi questionado sobre as recentes polêmicas envolvendo a identidade da Padroeira, alimentadas por rumores de que alas ligadas a Flávio Bolsonaro questionariam o título de Nossa Senhora Aparecida. Dom Mário afastou qualquer temor sobre uma possível destituição do título, lembrando que a honraria foi concedida pelo Vaticano em 1930 e oficializada no país em 1931. Embora tenha reconhecido a existência de jogos políticos favoráveis ou contrários à Igreja, ele evitou traçar cenários alarmistas sobre o futuro, preferindo focar na alegria dos fiéis que lotaram o santuário.
A jornada dos devotos
O fluxo de fiéis na cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, foi intenso. As administrações do santuário nacional estimam que 150 mil pessoas transitem pelo local apenas nesta segunda-feira, somando-se às 500 mil que visitaram o complexo durante o período da novena.
Entre os devotos, as histórias de sacrifício pessoal marcaram o dia. Anderson Roberto Mendes da Costa, de 47 anos, percorreu 172 quilômetros a pé desde a zona leste de São Paulo. Ele relatou uma trajetória exaustiva de cinco dias, marcada por granizo, ventos fortes e problemas de saúde recorrentes no grupo, como insolação e infecções. Já Rosemeire Alves Araújo Vieira, de 59 anos, viajou de Belo Horizonte em uma excursão. Para ela, o momento era de gratidão e súplica por um Brasil mais pacífico em meio à tensão eleitoral. Enquanto a multidão formava filas quilométricas para saudar a imagem da santa, o santuário reafirmava seu papel como o epicentro da devoção nacional.












