São Paulo (SP) – O cenário artístico nacional perde uma de suas figuras mais fundamentais. Laura Cardoso faleceu aos 98 anos na capital paulista, conforme comunicado oficial publicado nesta terça-feira (18). O velório teve início às 8h na Funeral Home, situada na Rua São Carlos do Pinhal, 376, na Bela Vista, com previsão de encerramento para as 14h.
Laurinda de Jesus Balleroni, como foi batizada, completaria 99 anos em setembro. Sua trajetória na televisão deixou um legado de mais de 60 personagens icônicos, que ajudaram a construir a história da dramaturgia no país. Entre os papéis que marcaram o público estão a dona Izaura de Mulheres de Areia, Guiomar em A Viagem e a inesquecível Sinhana Coragem, em Irmãos Coragem.
Mesmo após nove décadas de vida, ela manteve a intensidade no trabalho. Suas últimas passagens marcantes pela televisão incluíram personagens como dona Sinhá, na novela Sol Nascente, e Caetana de Souza, em O Outro Lado do Paraíso, papéis que reafirmaram sua versatilidade e presença cênica.
O reconhecimento veio em forma de troféus ao longo dos anos, cobrindo cinema, teatro e televisão. No cinema, ela conquistou o Grande Otelo como melhor atriz coadjuvante em três oportunidades: pelos filmes Copacabana (2002), O Outro Lado da Rua (2005) e De Onde Eu Te Vejo (2017). O prêmio APCA, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, foi entregue a ela cinco vezes, contemplando atuações em Os Apóstolos de Judas (1977), Irmãos Coragem (1995), Através da Janela (2001), além de seu trabalho nos palcos com as peças Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu (1990) e Vereda da Salvação (1993).
A celebração por seu conjunto da obra incluiu o prêmio Guarani Honorário em 2021 e o Troféu Oscarito, recebido no Festival de Gramado em 2023. Antes disso, ainda na década de 1960, a atriz já era laureada com o Troféu Imprensa por seus papéis em A Noite Eterna (1963) e Moulin Rouge, a Vida de Toulouse-Lautrec (1964).
Colegas de profissão utilizaram as redes sociais para prestar homenagens à veterana. Miguel Falabella destacou a magnitude de seu talento, descrevendo-a como uma artista gigante e compulsiva. Ary Fontoura, ao compartilhar memórias de parcerias antigas, referiu-se a ela como uma amiga querida cujo brilho e sorriso permanecerão vivos na memória do público. A cantora e atriz Zezé Motta sintetizou o sentimento de muitos ao afirmar que a arte brasileira se despede de uma de suas maiores damas, definindo a trajetória de Laura como algo pleno e eterno.


































































































