Paraty (RJ) – O encontro de dois gigantes do pensamento contemporâneo em Paraty promete marcar a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Entre os dias 23 e 26 de julho, a filósofa e ativista norte-americana Angela Davis e o Nobel de Literatura nigeriano Wole Soyinka — o primeiro autor africano a receber a distinção, em 1986 — dividem o palco no debate “América e África: uma conversa Atlântica”. A mesa ocorre no sábado, dia 25, às 18h, na tenda montada para 700 pessoas no recém-inaugurado Sesc Caborê. Quem não conseguir assento poderá acompanhar tudo por telões instalados na área externa da Casa Sesc.
A presença da dupla é o ponto alto de uma programação robusta promovida pelo Sesc em quatro espaços da cidade histórica. Além do espaço no Caborê, o Sesc Santa Rita, a Casa Sesc e a Casa Edições Sesc abrigam cafés literários, performances poéticas, shows, exposições e oficinas gratuitas. O festival também abre espaço para apresentações de Luiza Romão, Socorro Acioli e Fabiana Cozza, além de atividades de contação de histórias e mediação de leitura voltadas especialmente para as crianças. Este ano, as atividades ainda celebram os 70 anos de publicação de “Grande Sertão: Veredas”, clássico incontornável de João Guimarães Rosa.
No Sesc Santa Rita, o público encontra uma diversidade de vozes que inclui Eliana Alves Cruz, Marcelino Freire e Milena Martins Moura. O escritor Daniel Munduruku, pioneiro indígena a integrar o acervo da Casa de Rui Barbosa, debate no encontro “Cosmologias da Palavra” com Jama Wapichana. O espaço sedia ainda um talk show literário conduzido por Tati Bernardi, que recebe Bruna Lombardi, Itamar Vieira Junior e Elisa Lucinda, além do espetáculo musical “Viola, Rosa e Sertão”, do violeiro Paulo Freire.
A tecnologia e os novos formatos ganham força na Casa Sesc. Ali, o foco se volta para a circulação literária na era digital, discutindo o impacto de podcasts, acessibilidade e inteligência artificial na escrita. Os debates reúnem especialistas como Nina da Hora, Sil Bahia e Lu Ain-Zaila.
Já a Casa Edições Sesc se debruça sobre temas urgentes do cotidiano, de saúde mental a geopolítica e direitos humanos. Passam por lá o artista visual Eustáquio Neves, o fotógrafo Bob Wolfenson, a historiadora Mary del Priore, a escritora e psiquiatra Natália Timerman e o jornalista internacional Jamil Chade.
A iniciativa reflete o papel da cultura como engrenagem social. Diana Abreu, Diretora de Saúde, Cultura, Lazer e Assistência do Departamento Nacional do Sesc, aponta que reunir esses criadores e leitores fomenta o desenvolvimento dos territórios. De acordo com a diretora, a circulação de público e ideias incentiva a leitura, fortalece a cidadania e impulsiona o turismo e a economia local, gerando emprego e renda. A programação completa, totalmente gratuita, está disponível em sesc.com.br/sescnaflip.






























































































