São Paulo (SP) – A partir desta quarta-feira (5), o centro de São Paulo recebe a oitava edição da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei), um festival gratuito que se estende até domingo (9). Os debates e intervenções culturais ocupam cinco espaços da região: o Espaço Cultural Elza Soares, o Café Colombiano, o Pratododia, o Sol y Sombra Bar e a Central 1926. Desde 2018, o evento se consolidou como uma trincheira de resistência e difusão do pensamento crítico.
Neste ano, a Flipei traz discussões urgentes e de forte apelo global. Entre os temas que guiarão as mesas estão o conflito na Palestina, a tarifa zero nos transportes, direitos reprodutivos, justiça climática, inteligência artificial e saúde mental associada ao uso de substâncias psicoativas. A organização mobilizou uma infraestrutura que envolve 70 trabalhadores diretos e quase 500 profissionais indiretos da cadeia do livro e da cultura, reunindo mais de 150 expositores independentes.
Destaques internacionais e nacionais
A programação atrai pensadores de peso histórico. Do cenário externo, participam a geógrafa Ruth Wilson Gilmore, referência nos estudos sobre o abolicionismo penal; o jornalista israelense Gideon Levy, colunista do Haaretz e autor de “O Massacre de Gaza”; e a ativista Medea Benjamin, cofundadora do movimento anti-guerra Code Pink. Somam-se a eles o cientista político marxista Augusto Nimtz, o historiador britânico Rick Blackman e a poeta e tradutora israelense Tal Nitzan.
A representação brasileira conta com vozes de destaque na política e no ensaísmo contemporâneo. A deputada federal Luiza Erundina e a escritora Cida Bento, autora de “O Pacto da Branquitude”, debatem ao lado de Cidinha da Silva e da líder indígena Txai Suruí. O filósofo Vladimir Safatle, o ativista Thiago Ávila — detido recentemente pelas forças israelenses na Flotilha da Liberdade —, e os jornalistas Jamil Chade e Xico Sá também integram a lista de palestrantes.
Resistência contra o silenciamento
Um dos momentos mais simbólicos desta edição será a remontagem da exposição “Funk: um Grito de Ousadia e Liberdade”. Com curadoria de Renata Prado, a mostra teve seu encerramento antecipado de forma polêmica em maio, quando estava no Museu da Língua Portuguesa, após sofrer pressão de parlamentares conservadores e virar alvo de inquérito do Ministério Público. Classificado pela historiadora Lilia Schwarcz como “censura descarada”, o acervo censurado agora ganha as paredes da Central 1926, na Praça da Bandeira, 137.
A Flipei também inova ao incorporar práticas esportivas comunitárias como ferramentas de integração social. O público poderá acompanhar torneios de boxe popular e pebolim. Para as crianças, haverá a Zona Piratinhas, um espaço lúdico focado em narrativas afro-brasileiras e indígenas. A programação é arrematada por mais de dez atrações musicais, saraus e exibições de cinema.











































































































