Cachoeiro do Itapemirim (ES) – O cenário de desigualdade de gênero nos tribunais e órgãos ministeriais brasileiros ganha uma nova estratégia de enfrentamento. As organizações Justa, Themis e Fórum Justiça uniram forças para lançar o programa Caminhos para Liderança de Mulheres na Justiça, uma iniciativa voltada a preparar magistradas, promotoras e defensoras públicas para assumirem posições de alta gestão.
O projeto surge como uma resposta a estatísticas que revelam um abismo institucional. Em 135 anos de trajetória do STF, apenas três mulheres ocuparam a presidência, um número que contrasta drasticamente com os 170 homens que passaram pelo posto. A discrepância se repete pelo país: 75% dos tribunais estaduais são hoje liderados por homens, mantendo uma hegemonia que persiste há décadas. No Ministério Público Federal, o desequilíbrio é ainda mais acentuado, com o registro de apenas uma mulher na liderança máxima ao longo de 75 anos de existência do órgão.
Para mudar essa lógica, o programa selecionará 30 candidatas que passarão por uma imersão de dez meses. A jornada inclui mentorias personalizadas, encontros presenciais e vivências internacionais focadas em governança e gestão pública. Mais do que o aprendizado técnico, o objetivo central é criar uma rede de conexões capaz de articular a ascensão feminina em espaços decisórios, enfrentando os obstáculos estruturais que tradicionalmente excluem mulheres e pessoas negras do topo da carreira jurídica.
O processo de seleção já está em curso e seguirá aberto até o dia 30 de junho pelo portal oficial da iniciativa. A curadoria, conduzida por um comitê de especialistas, foi desenhada para valorizar a pluralidade. O foco recai sobre a diversidade regional e étnico-racial, garantindo que as profissionais selecionadas representem a demografia real do país e não apenas os grandes centros urbanos.
Para formalizar a participação, as interessadas devem submeter o currículo, uma carta de motivação e uma carta de referência. A taxa de inscrição foi fixada em R$ 100,00. O desenho da proposta sugere que, ao conectar lideranças experientes com ferramentas modernas de gestão, o programa tenta forçar a abertura de uma porta que, historicamente, tem se mantido estreita demais para a diversidade no Direito brasileiro.








































































































