Rio de Janeiro (RJ) – O chão da sala ou a calçada em frente de casa tornaram-se os locais de maior risco para a população idosa brasileira. Entre janeiro e maio deste ano, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) registrou um salto de quase 50% no volume de pacientes admitidos após sofrerem quedas. Ao todo, 258 pessoas buscaram socorro na unidade especializada devido a tombos, um contingente que já representa mais da metade de todo o movimento de traumas do hospital no período.
A marca desta quarta-feira, 24, Dia Mundial de Prevenção de Quedas, serve como um lembrete contundente sobre a fragilidade dos ossos e a rotina dentro dos lares. Como o Into atua apenas com casos de alta complexidade, a estatística indica uma realidade preocupante: na grande maioria desses atendimentos, o procedimento padrão foi a cirurgia.
Tito Rocha, chefe do Centro de Trauma da instituição, observa que o cenário reflete uma mudança demográfica inegável. Mais de 70% dos internados possuem 60 anos ou mais. O ganho na longevidade das últimas duas décadas, embora seja uma conquista social, trouxe desafios médicos que não podem ser ignorados. Com o avançar das primaveras, elementos cruciais como a visão, a força muscular e o equilíbrio tendem a declinar, tornando o corpo um alvo fácil para acidentes aparentemente simples.
O perigo da própria altura
É um equívoco perigoso subestimar o impacto de uma queda sem grande altura. Enquanto um jovem, ao escorregar, consegue retomar sua rotina rapidamente, o idoso encontra dificuldades severas para se levantar. Muitas vezes, a queda é apenas o primeiro degrau de um processo longo e doloroso de recuperação. A necessidade de imobilização e o pós-operatório acendem alertas para complicações graves, como pneumonias e infecções urinárias. O prognóstico pós-trauma é, inclusive, o dado mais alarmante: cerca de 20% a 30% dos idosos que sofrem fraturas acabam vindo a óbito dentro de um ano após o episódio.
Como blindar a rotina
A prevenção não exige milagres, apenas ajustes constantes no estilo de vida. Manter uma rotina de exercícios físicos é o pilar principal, essencial para combater a perda de massa muscular e garantir que o organismo suporte eventuais desequilíbrios. O tratamento preventivo contra a osteoporose também é inegociável, já que a estrutura óssea é a primeira a ceder sob impacto.
O ambiente doméstico exige, igualmente, uma revisão minuciosa. Tapetes soltos — verdadeiras armadilhas silenciosas — devem ser removidos. A instalação de barras de apoio no banheiro e a escolha por calçados com solado antiderrapante são modificações simples que garantem autonomia e segurança. Até a presença de animais de estimação requer atenção, já que o hábito comum de circular entre as pernas dos tutores pode causar acidentes fatais.
Envelhecer com saúde, segundo especialistas, é um objetivo alcançável, mas exige a aceitação de que o corpo mudou. O preço da longevidade, embora traga a vivência de nove décadas ou mais, caminha ao lado de uma fragilidade que não admite descuidos.


































































































