Baixo Guandu (ES) – A exclusão digital e a conexão de baixa qualidade são barreiras reais que impedem milhares de brasileiros de se manterem bem informados. O estudo Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (13), aponta que o distanciamento entre o público e os canais oficiais de informação facilita a propagação de conteúdos imprecisos.
Realizada pela Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas, a pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas em Santarém, Recife e São Paulo. O levantamento revela que um em cada quatro entrevistados enfrenta dificuldades técnicas para acessar notícias. Mais do que ajustar formatos, a diretora da Coalizão, Thais Siqueira, defende uma mudança de paradigma: o jornalismo precisa parar de apenas “falar” para o público e começar a construir narrativas coletivas que considerem as realidades locais.
A rotina exaustiva de trabalhadores — especialmente de mulheres com múltiplas jornadas — reduz drasticamente o tempo disponível para checar informações. O resultado é alarmante: 17% dos entrevistados admitem ter dificuldade em identificar notícias falsas. Para combater esse fenômeno, a solução não passa apenas pelo fact-checking tradicional, mas pelo fortalecimento de sistemas de comunicação comunitários, que detêm maior credibilidade junto à população e compreendem os saberes de cada território.
Os dados mostram ainda que o celular é o principal dispositivo de acesso, com preferência pelo WhatsApp e Instagram. Enquanto grandes centros como São Paulo diversificam suas fontes, regiões como Santarém ainda dependem fortemente do rádio e da TV aberta. Para enfrentar a desinformação, o estudo sugere que o jornalismo aposte em áudios e vídeos curtos, formatos que respeitam a realidade de quem possui pacotes de dados limitados e depende quase exclusivamente das redes sociais para se informar.


































































































