São Paulo (SP) – O som dos tambores ecoou pelas ruas do Bixiga na noite desta segunda-feira (13) em um cortejo liderado pelo bloco afro Ilú Obá de Min. Composto majoritariamente por mulheres negras, o grupo percorreu a Rua 13 de Maio e a Escadaria do Bixiga espalhando água de cheiro, um gesto simbólico que ocorre anualmente na data que marca a assinatura da Lei Áurea, em 1888.
Para Beth Beli, regente e fundadora do bloco, o ato é uma resposta direta à narrativa oficial da abolição, que o movimento classifica como uma falsa liberdade. “Se temos alguma arma, a arma é o nosso tambor”, afirma Beli. A escolha do bairro não é casual: embora o Bixiga seja frequentemente associado à imigração italiana, a região abrigou o Quilombo Saracura e foi um polo fundamental do samba paulistano, sendo reconhecida no início do século 20 como a “Pequena África”.
O manifesto distribuído durante a cerimônia reforça que a presença feminina negra sempre esteve na linha de frente das lutas históricas contra o racismo e o machismo. Ao lavar as escadarias, o bloco busca purificar o território de um legado colonial que tentou, sem sucesso, apagar a ancestralidade africana do centro da capital. É um ritual de resistência que, em 2024, celebra duas décadas de atuação do Ilú Obá de Min na preservação dessas memórias.


































































































