Brasília (DF) – O Fórum das Centrais Sindicais deflagrou, na última sexta-feira (4), uma estratégia de mobilização direta em todos os estados brasileiros para forçar o Senado a votar a PEC 221 de 2019 antes da ida às urnas em 2026. A proposta, que visa extinguir a jornada de trabalho de seis dias para um de descanso e limitar o tempo semanal a 40 horas, tornou-se o centro de um embate político sobre o cronograma legislativo.
A reação das entidades surgiu após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizar que a apreciação da matéria ficará para depois do pleito eleitoral. Para o comando da CUT, essa decisão atende a pressões de setores empresariais e de parlamentares da oposição. O objetivo, segundo a avaliação dos sindicatos, seria evitar que senadores se posicionem agora e enfrentem cobranças públicas, permitindo que a pauta seja negligenciada no período pós-eleitoral.
Sérgio Nobre, presidente da CUT, sustenta que o adiamento é uma estratégia deliberada para que parlamentares evitem o desgaste junto ao eleitorado. A lógica sindical é simples: pressionar os senadores em seus próprios estados. A mensagem central da campanha será uma pergunta recorrente aos candidatos: “Vai pedir voto? Cadê a 6×1 primeiro?”.
O plano de ação inclui uma maratona de panfletagens em centros comerciais — locais onde a escala 6×1 é predominante —, amplificação do tema em redes sociais e a organização de protestos de rua. As lideranças sindicais também pretendem solicitar uma audiência formal com Alcolumbre para formalizar a exigência de votação ainda no atual calendário eleitoral. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, não poupou críticas ao senador, afirmando que a decisão de adiar o debate representa um distanciamento das demandas dos trabalhadores.
A frustração dos movimentos ocorre após a aprovação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último dia 2, o que gerou expectativas de um trâmite rápido no plenário. Ricardo Patah, presidente da UGT, classificou a vitória na CCJ como expressiva, destacando que apenas quatro senadores votaram contra, sendo que nenhum deles buscará a reeleição. Para o dirigente, a redução da jornada é uma reivindicação histórica do trabalhador brasileiro, acumulada há quase um século.
Do outro lado da mesa, o setor patronal mantém uma postura de cautela e resistência. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) defendeu, por meio de seu presidente José Roberto Tadros, que alterações na Constituição devem ser tratadas com rigor técnico e longe da pressão do calendário eleitoral. O setor argumenta que a medida pode elevar custos operacionais e gerar efeitos imprevisíveis na economia.
Enquanto os sindicatos reforçam que a mudança é essencial para a saúde mental e o convívio familiar, prevendo que o impacto financeiro será absorvido tal qual ocorreu na transição da jornada de 48 para 44 horas em 1988, a classe política observa o cenário. O Senado, até o momento, não deu indicativos de que alterará a previsão de pauta, mantendo o impasse que promete mobilizar as bases sindicais nos próximos meses.











