Londres, Reino Unido – O mundo da literatura volta seus olhos para Londres nesta terça-feira, 19 de maio de 2026. É no Tate Museum que será conhecido o vencedor do International Booker Prize, um dos galardões mais cobiçados do cenário editorial global. Entre os seis finalistas que aguardam o veredito, encontra-se a brasileira Ana Paula Maia, que concorre com seu instigante romance Assim na Terra como Embaixo da Terra.
A trajetória da obra até a final foi rigorosa. O livro foi selecionado em 24 de fevereiro de 2026, após uma triagem que envolveu 128 títulos enviados por editoras de diversos países. O júri, composto por especialistas de renome internacional, reduziu essa lista a apenas 13 nomes antes de cravar os seis finalistas que agora disputam o prêmio principal.
Uma narrativa sobre os limites da violência
O livro de Ana Paula Maia mergulha o leitor no cotidiano de uma colônia penal isolada, prestes a ser desativada. O cenário é carregado de peso histórico, situado em um terreno marcado por torturas e assassinatos de pessoas escravizadas no passado. O que deveria ser um modelo de ressocialização, capaz de impedir fugas e recuperar indivíduos, transforma-se, sob a pena da autora, em um verdadeiro campo de extermínio.
A precisão cirúrgica da escrita de Maia é um dos pontos mais elogiados pelo júri, que descreveu a obra como uma novela brutal e hipnótica. Mais do que o estilo direto, o que impressiona os críticos é a capacidade da história de permanecer viva na mente do leitor. O romance provoca reflexões profundas sobre os sistemas criados pela sociedade para conter a violência e questiona se essas mesmas estruturas não acabariam, paradoxalmente, por reproduzi-la.
Trajetória e reconhecimento
Nascida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Ana Paula Maia traz em seu trabalho influências que vão desde a infância, marcada por sessões de cinema com o irmão onde assistia a filmes de faroeste e terror. Filha de um comerciante e de uma professora de língua portuguesa e literatura, ela consolidou uma carreira versátil. Sua estreia literária ocorreu em 2003, com O Habitante das Falhas Subterrâneas.
A autora não se limita aos livros. Ela possui uma carreira consolidada como roteirista, tendo assinado o filme Deserto, de 2017, em parceria com Guilherme Weber, além de incursões pelo teatro e pela televisão, como a série Desalma, exibida no GloboPlay em 2019. O reconhecimento da crítica não é novidade: ela venceu o Prêmio São Paulo de Literatura por dois anos consecutivos, em 2018 e 2019, justamente com Assim na Terra como Embaixo da Terra e Enterre Seus Mortos.
O peso do prêmio internacional
O International Booker Prize celebra obras de ficção traduzidas para o inglês e publicadas no Reino Unido ou na Irlanda. Para a edição de 2026, o júri foi presidido pela premiada Natasha Brown e contou com a participação de nomes como o professor de Oxford Marcus du Sautoy e a tradutora Sophie Hughes. O objetivo da premiação é fomentar uma comunidade global de escritores e leitores, derrubando barreiras nacionais.
A premiação total de 50 mil libras é dividida igualmente entre autor e tradutor, garantindo que o esforço da tradução — peça vital para a circulação global das ideias — seja valorizado. Cada finalista recebe 5 mil libras. A lista deste ano reflete uma diversidade temática impressionante, abordando desde a Revolução Iraniana de 1979 até a vida em comunidades isoladas nos Alpes Albaneses, confirmando o papel da literatura como ponte entre realidades tão distintas.





































































































