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Cristo Redentor ganha tom laranja para expor a urgência do combate ao feminicídio

Ação marca os 20 anos da Lei Maria da Penha enquanto a Justiça fluminense registra mais de sete mil processos de violência de gênero neste ano

Por Redação / Diário da Nação
4 de agosto de 2026
em Sociedade
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Cristo Redentor ganha tom laranja para expor a urgência do combate ao feminicídio

📷 Instagran/cristoredentoroficial

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Rio de Janeiro (RJ) – No alto do morro do Corcovado, o monumento mais famoso do Rio de Janeiro ganhou um visual diferente para enviar um aviso urgente a toda a sociedade. Vestido de laranja, a cor escolhida internacionalmente como símbolo da resistência e do alerta contra a violência sofrida por mulheres, o Cristo Redentor tornou-se um farol de conscientização na noite fluminense. Essa intervenção visual marca o início do segundo ato da Campanha Judiciário pelo Fim do Feminicídio, uma mobilização de grande escala que busca frear a escalada de crimes de gênero no país.

A ação simbólica no monumento ocorre no mesmo momento em que o país relembra a trajetória de duas décadas da promulgação da Lei Maria da Penha. Por trás da organização desta iniciativa estão a Comissão Executiva do XVIII Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) e a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), órgão vinculado diretamente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

As estatísticas que justificam o tom de alerta na estátua são dramáticas e revelam a dimensão do desafio enfrentado pelas autoridades públicas diariamente. Nos tribunais do Estado do Rio de Janeiro, a engrenagem jurídica trabalha em ritmo intenso para dar conta de uma demanda histórica. Somente nos primeiros sete meses deste ano, entre os meses de janeiro e julho, a Justiça estadual contabilizou a tramitação de 7.383 processos criminais relacionados a feminicídios, índice que abrange tanto os crimes consumados quanto as tentativas de assassinato.

Diante desse cenário desafiador, a campanha institucional busca romper as barreiras técnicas do Direito para alcançar o cidadão comum de forma eficaz. Através do uso de uma linguagem simplificada e direta, o projeto se dedica a explicar de maneira didática quais são as atitudes cotidianas e os fatores sociais que alimentam esse ciclo de violência extrema. O objetivo central é capacitar parentes, vizinhos e as próprias vítimas a reconhecerem os primeiros indícios de perigo antes que a agressão verbal se transforme em violência física fatal.

Na avaliação da desembargadora Adriana Ramos de Mello, coordenadora da Coem, a celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha deve ser encarada como um momento de reflexão profunda sobre as conquistas obtidas e os gargalos que ainda persistem na proteção feminina. Para a magistrada, a consolidação desse dispositivo jurídico representa uma verdadeira ruptura histórica na garantia de direitos fundamentais para as brasileiras, construída a partir da indignação individual que se transformou em uma pauta coletiva nacional.

A magistrada destaca que a legislação atual é o reflexo de uma longa caminhada de mobilização social e de enfrentamento político. Ela pontua que o surgimento da norma jurídica está intimamente ligado à bravura de uma mulher que decidiu não se calar diante das agressões brutais que sofreu em ambiente doméstico. Esse ato de resistência individual, segundo a coordenadora, acabou gerando a ferramenta de proteção mais importante que as meninas e mulheres do Brasil dispõem atualmente para lutar pela própria sobrevivência e por uma sociedade mais justa.

Tags: cristo redentorfeminicídioLEI MARIA DA PENHATJRJViolência Doméstica
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