Rio de Janeiro (RJ) – A partir desta sexta-feira, dia 4, a zona sul do Rio de Janeiro se torna o cenário da segunda edição do Favela Gourmet. O evento, que se estende até o dia 11, projeta atrair cerca de 5 mil visitantes para um roteiro que agora engloba 40 bares, restaurantes e lanchonetes espalhados pela Rocinha e pelo Vidigal.
O salto na participação é expressivo quando comparado ao ano de 2025, quando apenas 14 estabelecimentos integravam o circuito. O projeto, idealizado pelo empreendedor Renan Monteiro, nasceu com o propósito de dar visibilidade a pequenos negócios comunitários, muitos deles com alto potencial criativo e comercial. A estratégia agora é a inclusão, trazendo para o centro das atenções empreendimentos que, embora menores, movimentam a economia local.
Houve uma mudança na estrutura das premiações para esta temporada. Em vez de concentrar os recursos em três vencedores, a organização optou por distribuir sete categorias distintas. Os prêmios agora contemplam o melhor prato, a melhor bebida, o segundo melhor em cada categoria, um prêmio de revelação e, pela primeira vez, duas categorias específicas para guias de turismo. O objetivo, segundo Monteiro, é fortalecer o ecossistema turístico ao recompensar tanto o profissional que mais circula pelos estabelecimentos quanto aquele que consegue levar o maior fluxo de visitantes.
A votação, que definirá os vencedores anunciados no dia 11 de setembro, será realizada por meio de QR Code. O formato busca replicar o sucesso de 2025, quando os estabelecimentos participantes registraram um crescimento de 35% no movimento e um engajamento 70% maior nas redes sociais. Mais do que números, o evento serve como vitrine para a capacidade de gestão e inovação dessas comunidades. Para sustentar esse crescimento, os microempreendedores contam com o suporte do Sebrae Rio, que oferece consultoria para o aprimoramento da capacidade produtiva.
Um exemplo dessa trajetória é Verônica Batista de Oliveira, moradora do Vidigal. Conhecida na comunidade como Flor, ela transformou uma demissão administrativa em um negócio sólido, a cafeteria Flor de Baunilha. O espaço, que nasceu da necessidade de se reinventar durante a pandemia, hoje se destaca pela curadoria no atendimento e pela apresentação diferenciada. Em vez de operar como uma padaria tradicional, ela aposta no aconchego e na estética do serviço para atrair os clientes.
Para o organizador, o festival vai além do consumo de alimentos. A meta é permitir que o turista e o morador enxerguem o potencial cultural das favelas cariocas através do paladar. A programação completa e os detalhes dos participantes estão disponíveis no site oficial do projeto.












