Cachoeiro do Itapemirim (ES) – O fluxo de capitais entre o Brasil e a zona do euro pode ganhar uma nova rota tecnológica a partir desta quinta-feira, 24 de outubro. As autoridades monetárias brasileiras e europeias deram a largada oficial em um estudo de viabilidade técnica para interligar o Pix, ferramenta de pagamentos instantâneos que transformou o varejo nacional, ao Target Instant Payment Settlement, conhecido pela sigla Tips.
Operado pelo Eurosistema, o Tips funciona como uma infraestrutura de liquidação em tempo real, utilizando a moeda de banco central. A proposta de integração coloca na mesa uma revisão profunda de pilares operacionais, jurídicos e negociais. O objetivo, na prática, é tornar as remessas internacionais e as compras transfronteiriças tão ágeis quanto um envio doméstico, permitindo que os recursos cheguem ao destino final, na moeda local, em questão de segundos.
Para o Banco Central do Brasil, o movimento não é isolado. Trata-se de uma peça-chave na chamada “agenda evolutiva” do sistema de pagamentos brasileiro. A meta de longo prazo é conectar o Pix a malhas multilaterais globais, alinhando o ecossistema nacional às diretrizes do G20 para o aprimoramento de transações financeiras transfronteiriças. A expectativa é que a conectividade elimine intermediários e reduza os custos que hoje oneram quem precisa movimentar dinheiro entre continentes.
Cenário de expansão europeia
O sistema Tips foi desenhado para atuar como uma espinha dorsal pan-europeia. Atualmente, a plataforma já lida com o euro, a coroa sueca e a coroa dinamarquesa, mas o horizonte do Eurosistema é de crescimento contínuo. A avaliação da ponte com o Brasil corre em paralelo a outras articulações estratégicas que o Banco Central Europeu mantém ativas.
Entre os projetos de conexão em andamento, destaca-se o Nexus, iniciativa sob a tutela do Banco de Compensações Internacionais, além de conversas específicas para integrar infraestruturas da Índia e da Suíça ao serviço. A ideia é que, ao integrar essas redes, o sistema europeu amplie sua capilaridade, transformando a maneira como países com jurisdições distintas se comunicam financeiramente.
Por ora, o estudo brasileiro-europeu se mantém no campo da viabilidade técnica. A concretização desse elo, caso validada, representaria um salto na transparência e no acesso a transações internacionais, reduzindo as fricções que historicamente tornam o envio de valores para o exterior um processo lento e oneroso para o cidadão e para as empresas.








