Brasília (DF) – O setor fabril brasileiro enfrentou um setembro amargo. Com uma queda de 0,8% na passagem de agosto para o mês seguinte, a indústria nacional consolidou um ciclo preocupante: trata-se da quarta retração observada em um intervalo de apenas cinco meses. O cenário desenhado pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) frustrou as projeções do mercado, que trabalhava com uma contração mais moderada, na casa dos 0,4%.
O acumulado recente deixa claro que o ímpeto observado no início do ano perdeu força. Nos últimos cinco meses, o parque industrial amargou uma perda de 4,1%, o que praticamente anula o ganho de 4,2% registrado entre janeiro e abril de 2024. Quando o olhar se volta para o passado mais distante, o distanciamento fica ainda mais evidente: a produção atual permanece 16,5% abaixo do recorde histórico alcançado em maio de 2011.
A fragilidade não foi um evento isolado, mas sim um movimento disseminado. O levantamento indica que 17 das 25 atividades industriais monitoradas fecharam o mês no vermelho, atingindo três das quatro grandes categorias econômicas. A produção de bens de capital, que engloba máquinas e equipamentos, liderou as quedas com um recuo de 1,9%. Em seguida, vieram os bens de consumo semi e não duráveis, com baixa de 1,2%, e os bens intermediários, que encolheram 0,7%. Na contramão, apenas os bens de consumo duráveis conseguiram registrar um desempenho positivo, com leve alta de 0,7%.
Dentro do mosaico de resultados, o setor de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis pesou bastante no índice geral, apresentando uma queda de 4,2%. O mesmo ocorreu com a indústria de produtos alimentícios, que recuou 1,7%. A explicação para o movimento negativo dessas cadeias passa, curiosamente, pelas condições climáticas: a redução no processamento da cana-de-açúcar, prejudicada pelo excesso de chuvas, foi o fator decisivo que puxou os números para baixo na produção de açúcar e álcool etílico.
Nem tudo foi retração, porém. A indústria extrativa, com alta de 1,7%, atuou como um freio na queda do índice consolidado. O avanço foi impulsionado pelo aumento na extração de minério de ferro, além de uma produção mais robusta de gás natural e óleos brutos de petróleo.
Ao analisar o comportamento ano a ano, o tom continua desfavorável. Na comparação entre setembro de 2024 e o mesmo mês de 2023, houve uma queda de 2,5%. Este é o declínio mais acentuado desde março deste ano. Parte desse resultado negativo é atribuída a fatores técnicos, como a existência de um dia útil a menos no calendário de 2024 e uma base de comparação elevada, já que em setembro de 2025 o setor havia registrado um crescimento de 2%.
Embora o acumulado nos 12 meses ainda se mantenha no terreno positivo, com um avanço de 0,2%, a análise técnica aponta para uma redução clara na magnitude do crescimento. O setor agora busca fôlego para evitar que o desempenho dos próximos meses continue seguindo essa trajetória de enfraquecimento.












