Houston, Estados Unidos – O encerramento do último Mundial deixou feridas abertas no futebol brasileiro. Com a sexta eliminação consecutiva e o desempenho mais modesto desde a fatídica campanha de 1990, na Itália, a Seleção entra agora em um hiato de quatro anos de incertezas e reconstrução. O técnico Carlo Ancelotti, ao discursar após a derrota por 2 a 1 para a Noruega em solo americano, foi pragmático: o ciclo de renovação tornou-se uma urgência, com o meio-campo surgindo como a zona mais crítica dessa transformação.
A longevidade dos pilares atuais é o grande entrave. Casemiro, alvo constante de críticas da torcida durante a Copa, chegará ao próximo torneio com 38 anos. Fabinho, seu substituto imediato, terá 37. Nesse cenário de envelhecimento, Danilo Santos é o único volante da última lista de convocados que preserva uma margem de juventude, atingindo 29 anos em 2030. O descompasso etário forçou Ancelotti a cogitar alternativas frescas, como Andrey Santos, do Chelsea, com 22 anos, e André, do Wolverhampton, aos 24. O radar da comissão técnica também monitora João Gomes e o zagueiro Lucas Beraldo, do Paris Saint-Germain, que tem sido testado em funções mais adiantadas pelo técnico Luís Enrique.
No futebol doméstico, a esperança recai sobre talentos que ainda não debutaram com a camisa principal, mas sustentam suas equipes no Campeonato Brasileiro. Bruno Bidon, do Corinthians, Martinelli, do Fluminense, e o armador Gabriel Bontempo, do Santos, figuram como apostas para oxigenar um setor que falhou em dominar o ritmo das partidas recentes.
As laterais representam outra dor de cabeça crônica. A instabilidade física e técnica na posição levou o treinador a improvisar zagueiros como Ibañez e volantes como Éderson, em uma tentativa desesperada de contenção defensiva. Wesley, da Roma, desponta como a aposta para o corredor direito, enquanto o lado esquerdo clama por renovação radical, dado que Alex Sandro e Douglas Santos não terão condições competitivas em 2030. Kaiki Bruno, do Como, e Luciano Juba, do Bahia, são os nomes que ocupam as primeiras prateleiras da lista de transição.
Debaixo das traves, a hierarquia também deve sofrer abalos. Alisson e Ederson permanecem como referências, mas o mercado de goleiros aponta para uma concorrência crescente. Bento, agora no Al-Nassr, Hugo Souza, do Corinthians, e Luiz Júnior, destaque no Villarreal, formam a nova leva de arqueiros que disputarão espaço em um ciclo que terá contornos exóticos. Com a Copa de 2030 sendo sediada majoritariamente por Portugal, Espanha e Marrocos — e jogos de abertura distribuídos entre Argentina, Uruguai e Paraguai — a logística e as eliminatórias sul-americanas ainda são pontos de interrogação.
O primeiro teste para esse grupo renovado já possui coordenadas definidas. Entre 21 de setembro e 6 de outubro, o Brasil desembarca na Austrália para dois amistosos. O desafio começa no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, no dia 25 de setembro, seguido por um confronto em Brisbane, no Suncorp Stadium, quatro dias mais tarde. É ali que se começará a desenhar se a transição para 2030 será um processo orgânico ou um eterno remendo.












