Brasília (DF) – Desde a segunda-feira (17), usuários brasileiros do Discord não conseguem mais realizar transmissões de vídeo em tempo real. A interrupção da funcionalidade, conhecida como lives, foi confirmada pela própria companhia como uma resposta direta a uma determinação imposta pela ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).
O órgão regulador havia estabelecido um prazo de três dias úteis para que o serviço fosse suspenso no país. A decisão fundamentou-se na constatação de lacunas críticas nos protocolos de segurança e na implementação de medidas preventivas voltadas à proteção de crianças e adolescentes. O cenário é agravado pela vigência do ECA Digital, que completou cinco meses de implementação.
Nos bastidores, o Discord mantém canais abertos com a ANPD na tentativa de reverter a situação. Em comunicado, a empresa enfatizou que as transmissões de vídeo compõem uma fatia relevante da experiência oferecida, sendo vistas como ferramentas essenciais para a socialização, o compartilhamento de jogos e a manutenção de laços entre amigos e familiares. O objetivo, segundo a plataforma, é restabelecer os recursos o quanto antes.
Essa intervenção regulatória ganha contornos mais graves ao considerar o histórico recente de investigações policiais envolvendo o ambiente do aplicativo. A pressão sobre a empresa aumentou significativamente após episódios de violência, incluindo o caso de uma adolescente de 13 anos induzida ao suicídio durante uma live acompanhada por outros usuários.
A ANPD deixou claro que a medida aplicada não se traduz em um bloqueio integral do Discord. Contudo, a agência ressalvou que a fiscalização permanece ativa, o que significa que novos desdobramentos ou medidas punitivas adicionais não estão descartados, dependendo do avanço da apuração sobre a gestão de dados e a segurança dentro da rede.
Quem estiver enfrentando sofrimento emocional e precisar de suporte pode buscar auxílio gratuito junto ao CVV (Centro de Valorização da Vida), disponível pelo número 188.












