Duque de Caxias (RJ) – O Rio de Janeiro amanheceu sob o impacto de duas investidas da Polícia Federal nesta quinta-feira. O objetivo central era desmantelar organizações criminosas que, operando em frentes distintas — desde a gestão pública até o contrabando de tecnologia —, teriam movimentado cifras superiores a R$ 120 milhões.
A primeira frente de atuação, batizada de Operação Faixa Amarela, concentrou-se na análise de contratos de transporte escolar em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A investigação aponta para uma engrenagem robusta de desvio de verbas, lavagem de dinheiro e apropriação indevida. Os agentes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão, espalhados por endereços na capital e no município da Baixada.
O fio condutor dessa apuração surgiu de forma inesperada: o conteúdo de um celular apreendido anteriormente, durante a Operação Anáfora, que desvendou irregularidades na área da saúde envolvendo aliados do ex-prefeito Washington Reis, do MDB. O padrão de fraude em licitações, estabelecido em 2020, seguiu operando ininterruptamente. Entre 2020 e 2023, o esquema movimentou R$ 62 milhões através do superfaturamento de certames, estratégia que permitia o desvio de recursos públicos para o pagamento de vantagens ilícitas a uma rede formada por funcionários públicos, empresários e intermediários.
Paralelamente, a PF executou a Operação Conexão Paralela. O foco, desta vez, era uma quadrilha especializada na importação clandestina de smartphones e diversos eletrônicos. A ação resultou no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Maricá. A investigação teve início a partir de uma denúncia recebida pela plataforma ComunicaPF.
O volume de carga irregular que ingressou no país nos últimos cinco anos sem o devido pagamento de impostos atingiu a marca de R$ 60 milhões em valores ilícitos. Um detalhe central nas diligências desta quinta-feira chamou a atenção dos investigadores: o principal operador do esquema seria um policial. Durante a revista em sua residência, foram apreendidos computadores, aparelhos celulares e uma quantia em dinheiro vivo, cujo valor total não foi revelado pelas autoridades.
Até o momento, a identidade dos envolvidos nos dois casos permanece sob sigilo. A Polícia Federal segue processando os dados coletados nas buscas para delimitar a extensão total da participação de cada integrante nos esquemas que, somados, impactam as finanças públicas e o mercado formal de tecnologia no estado.












