Rio de Janeiro (RJ) – O fluxo de veículos na região da Mangueira, na zona norte do Rio de Janeiro, enfrentou um cenário de caos na tarde desta quarta-feira, 12 de agosto. A interdição da Avenida Rei Pelé e da Rua São Francisco Xavier foi motivada por protestos que surgiram logo após uma operação da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). O alvo dos policiais era um ferro-velho clandestino localizado na Favela do Metrô, conhecido por integrar uma cadeia de receptação sob influência do tráfico local.
Assim que as equipes da Polícia Civil deixaram o terreno, um grupo iniciou o bloqueio das vias. Pneus e contêineres de lixo foram incendiados no meio da pista, exigindo a intervenção de unidades do Corpo de Bombeiros para conter as chamas. A situação escalou quando ônibus do transporte coletivo tiveram as chaves tomadas e foram atravessados como barricadas, afetando diretamente a operação de 19 linhas de ônibus, incluindo a A29046 – 457, que liga a Abolição a Copacabana.
A Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que, durante a investida no ferro-velho, agentes foram recebidos a tiros disparados do alto da comunidade. Segundo a instituição, os policiais não revidaram os disparos para evitar riscos adicionais aos moradores da região. A ação visava o desmantelamento de um ponto de recepção de materiais furtados, principalmente na Tijuca, Grajaú e Vila Isabel. No local, foram apreendidos cabos de telefonia, dinheiro, balanças e equipamentos de registro, além de evidências de que o material era queimado para esconder sua procedência.
O impacto do protesto forçou a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) a emitir uma recomendação urgente: estudantes e servidores foram orientados a não se deslocarem para o campus Maracanã, enquanto aqueles que já estavam nas instalações deveriam permanecer no interior dos prédios por questões de segurança. O trânsito nos dois sentidos da via, tanto em direção ao Méier quanto ao Centro, registrou lentidão acentuada.
A operação faz parte da denominada Operação Caminhos do Cobre, que desde setembro de 2024 já acumulou mais de 580 fiscalizações e 270 prisões em estabelecimentos do tipo. O mesmo endereço na Rua São Francisco Xavier já havia sido alvo da DRF em 3 de julho, quando cinco pessoas também foram detidas por receptação qualificada. Até o momento, a estratégia policial resultou na apreensão de cerca de 300 toneladas de cobre e na tentativa de bloqueio judicial de R$ 240 milhões ligados ao esquema.
Para retomar a normalidade, a Secretaria de Estado de Polícia Militar mobilizou equipes do 3º BPM, 6º BPM e do RECOM. Por volta das 16h13, a situação no entorno da Mangueira foi estabilizada, com o tráfego de veículos liberado e reforço no policiamento preventivo nas proximidades.








































































































