Brasília (DF) – O cinema nacional perdeu nesta quarta-feira, 22 de maio, uma de suas figuras mais longevas e influentes. Luiz Carlos Barreto, cineasta que aos 98 anos acumulava uma trajetória de quase sete décadas atrás das câmeras e na produção, será celebrado pela TV Brasil. Em um esforço para honrar o legado do homem que ajudou a moldar a identidade da sétima arte no país, a emissora preparou um tributo especial programado para a noite desta sexta-feira, 24.
A homenagem começa às 21h com a exibição de uma entrevista exclusiva conduzida pela apresentadora Priscila Rangel no programa Cine Resenha. O conteúdo foi captado originalmente em 2023, durante as celebrações pelos 60 anos da L.C. Barreto, produtora que se tornou um pilar do mercado audiovisual brasileiro. Ao lado de sua esposa e parceira de longa data, Lucy Barreto, o diretor detalhou momentos cruciais de sua carreira e a estreita convivência com gigantes como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos.
Logo após o bate-papo, às 21h30, o canal leva ao ar o longa-metragem Dona Flor e seus Dois Maridos, produção de 1976 dirigida por seu filho, Bruno Barreto. O filme, baseado na obra de Jorge Amado, não é apenas um marco artístico, mas um fenômeno de mercado. Com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça no elenco, a produção foi a primeira na história do Brasil a ultrapassar a barreira de 10 milhões de espectadores, mantendo o posto de maior bilheteria nacional por mais de três décadas.
Durante a entrevista que será reapresentada, o cineasta relembrou a força do filme: “Dona Flor divide o cinema brasileiro em um antes e depois. Foi a prova de que tínhamos capacidade de produzir obras de interesse internacional, tanto do ponto de vista artístico quanto comercial”. A conversa também atravessa as participações da família Barreto em grandes prêmios, incluindo as indicações ao Oscar com os filmes O Quatrilho, de Fabio Barreto, e O Que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto.
A conversa também traz um tom pessoal, com a revelação da origem da alcunha Barretão — um apelido que ganhou o público pela voz de Ancelmo Gois após ser cunhado por Nelson Pereira dos Santos. Entre reflexões sobre o futuro da indústria e a necessidade de políticas públicas de fiscalização de cotas de tela, o veterano defende o papel social do audiovisual. Para ele, a produção de conteúdo vai muito além do faturamento, sendo um motor essencial na formação de hábitos e costumes da sociedade.
A produtora L.C. Barreto, que já soma mais de 150 títulos, segue ativa como um exemplo de resiliência. Lucy Barreto destaca que o reconhecimento em palcos internacionais, como o Festival de Cannes, reforça como o cinema é um veículo fundamental para exportar a cultura brasileira, da paisagem à música. O programa Cine Resenha, que promove esse olhar sobre obras consagradas, estará disponível para consulta também por meio do aplicativo TV Brasil Play, consolidando a preservação dessa memória cinematográfica.






























































































