Os Emirados Árabes Unidos denunciaram nesta quinta-feira que o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o petróleo e gás consumido no mundo, continua sob controle iraniano. O país cobra pela passagem e restringe o acesso, impedindo a livre navegação que deveria ter sido garantida pelo cessar-fogo recém-anunciado entre Irã e Estados Unidos.
Sultan Al Jaber, ministro da Indústria dos EAU e chefe da estatal de petróleo Adnoc, foi direto na crítica. “O Estreito de Ormuz não está aberto. O acesso está sendo restringido, condicionado e controlado. Passagem condicionada não é passagem. É controle disfarçado”, afirmou. O executivo alertou que 230 navios carregados de petróleo aguardam para zarpar e que cada dia de restrição agrava o impacto nos mercados globais, causando atrasos e aumentos de preço.
O que Teerã diz
Ao anunciar o cessar-fogo com os americanos, o Irã estabeleceu que a passagem pelo estreito funcionaria mediante “coordenação” com suas Forças Armadas. Segundo o comunicado do ministro das Relações Exteriores iraniano Seyed Abbas Araghchi, durante duas semanas seria possível navegação segura desde que aprovada por Teerã e respeitadas “limitações técnicas”.
Nesta quinta, a Guarda Revolucionária Iraniana distribuiu um mapa com rotas alternativas no estreito, citando a presença de minas antinavios. Uma autoridade iraniana não identificada informou à agência Tass que apenas 15 embarcações por dia seriam permitidas durante o período do cessar-fogo, condicionado ainda à aprovação de Teerã.
Dados de monitoramento de navios mostram que apenas um navio-tanque e cinco graneleiros passaram pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, revelando a severidade das restrições.
Riscos ao acordo
Teerã argumenta que o status de Ormuz nunca voltará ao que era antes devido à agressão sofrida pelo país vindo dos EUA e Israel. Porém, a violação do cessar-fogo por Israel ao bombardear massivamente o Líbano já coloca o frágil acordo em risco. Uma reunião está marcada para sexta-feira em Islamabad, no Paquistão, entre representantes de Teerã e Washington para discutir o futuro do conflito.

































































































