Rio de Janeiro (RJ) – Durante um evento focado em segurança pública no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o palanque para rebater críticas recentes de Donald Trump. O líder norte-americano havia classificado as facções criminosas brasileiras como terroristas e sugeriu que o país estaria incapacitado de controlar tais grupos. Lula não apenas refutou o rótulo, como direcionou o conceito de terrorismo para o cenário político doméstico.
Ao abordar o tema, o presidente foi enfático: “Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”. Em sua argumentação, Lula redefiniu o termo ao citar o plano de golpe de 8 de janeiro e as ameaças contra a vida de autoridades — incluindo ele próprio, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. “Isso é terrorismo de Estado”, sentenciou, ao lembrar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que em março deste ano recebeu uma sentença de 27 anos e três meses de prisão por crimes que incluíam o conhecimento da trama golpista.
A tensão diplomática ganhou contornos estratégicos com a menção de Lula aos interesses de Washington sobre recursos naturais brasileiros. O presidente alertou para a necessidade de vigilância rigorosa na margem equatorial e nas reservas do pré-sal. “Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí. O Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terra rara”, pontuou, posicionando o controle sobre esses ativos como uma questão de soberania nacional frente ao apetite estadunidense.
A troca de farpas ocorre após o envio de um documento ao Congresso dos EUA, no último dia 15, no qual Trump criticou o Brasil por, supostamente, falhar no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Desde maio, essas organizações já constam como terroristas para o governo norte-americano.
No Rio de Janeiro, a resposta prática do Palácio do Planalto foi a oficialização de convênios entre esferas federal, estadual e municipal. Com vigência de cinco anos para as parcerias estaduais e três para as municipais, o plano foca em três eixos: a proteção de corredores logísticos cruciais para evitar roubo de cargas, uma política de reocupação territorial para enfraquecer o poderio econômico do crime organizado e a capacitação de uma nova Força Municipal, composta por agentes da Guarda Municipal armados.
O governador interino, Ricardo Couto, reforçou que o Brasil possui autonomia para gerir seus conflitos. “O Brasil tem condições, sim, de, por si, seguir em frente e realizar as atividades próprias da segurança. Não é o caso de sermos tutelados”, declarou. A visão de que o Rio atua como um teste piloto para estratégias nacionais foi compartilhada pelo prefeito Eduardo Cavaliere, que destacou a importância da inteligência e do monitoramento por vídeo nas vias que conectam a capital aos municípios da Baixada Fluminense.
A cerimônia ocorreu na sede da Polícia Rodoviária Federal, em um ponto estratégico entre a Avenida Brasil e a Dutra, simbolizando o esforço de integração que o governo espera ver replicado nacionalmente caso o modelo carioca apresente resultados concretos.












