Brasília (DF) – O Sistema Único de Saúde (SUS) acaba de estruturar uma rede de suporte psicológico remoto voltada especificamente para mulheres que enfrentam quadros de violência ou o desgaste do cuidado intensivo não remunerado. A medida busca alcançar, mensalmente, até 100 mil pacientes em todo o território nacional, oferecendo um canal de escuta qualificada que dispensa a burocracia habitual dos postos de atendimento presenciais.
A iniciativa, batizada de Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, é um esforço conjunto entre o Ministério da Saúde e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). O foco não se limita apenas a episódios de agressão física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. O projeto reconhece a exaustão física e emocional de mulheres que exercem o papel de cuidadoras de pessoas com deficiência, neurodivergentes ou portadores de doenças raras.
Para buscar essa assistência, não há exigência de documentos que comprovem a situação de vulnerabilidade ou encaminhamentos de unidades de saúde. A porta de entrada é digital: o acesso ocorre exclusivamente pelo aplicativo Acolhe Mais, disponível dentro da plataforma Meu SUS Digital ou no portal oficial. Após realizar o login com as credenciais do Gov.br, a usuária preenche um formulário de acolhimento inicial.
O fluxo de resposta é célere. Uma equipe técnica avalia a demanda e retorna o contato em até 24 horas. Uma vez agendada, a paciente recebe as instruções para a videochamada, que ocorre com horário marcado. O sistema funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, seguindo o horário de Brasília.
Cada sessão tem duração mínima de 50 minutos. A estratégia do programa é preservar a continuidade: a ideia é que a mesma profissional acompanhe a mulher durante todo o ciclo de dez consultas, permitindo a criação de um vínculo terapêutico essencial para o desenvolvimento de estratégias de proteção e bem-estar. Caso o tratamento demande mais tempo, o ciclo pode ser renovado após a avaliação do quadro.
Vale reforçar que este serviço se destina ao suporte terapêutico e não substitui o atendimento de emergência. Em casos de risco iminente de violência ou situações consumadas, a recomendação oficial segue sendo o acionamento imediato da Polícia Militar, pelo 190, ou do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192. Além disso, a Central de Atendimento à Mulher, acessível pelo número 180, mantém seu funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, inclusive em finais de semana e feriados.












