Brasília (DF) – O 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro inaugura nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília, uma edição marcada por uma narrativa digna das telas. O evento, que detém o título de mais longevo festival de cinema do país, esteve prestes a não acontecer: após o governo do Distrito Federal anunciar o cancelamento por falta de verba, uma mobilização da classe artística forçou a governadora Celina Leão a reverter a decisão horas depois, garantindo os recursos necessários.
Superada a crise, a programação se mostra robusta. A marca de 1.928 filmes inscritos — um recorde absoluto na história do festival — resultou na seleção de mais de 70 obras distribuídas entre mostras competitivas, paralelas e sessões especiais. A curadoria busca equilibrar o peso histórico do evento, iniciado em 1965, com a renovação da produção nacional.
O longa-metragem A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres, foi o escolhido para a sessão de abertura. O projeto possui um valor simbólico para o cinema local, tendo sido concebido originalmente pelo cineasta Geraldo Moraes, radicado em Brasília e falecido em 2017, e finalizado por seus filhos. Para Sara Rocha, diretora-geral do festival, o destaque desta edição reside justamente na força da produção brasiliense e em seus laços profundos com o Distrito Federal.
A grade de exibições ainda reserva espaço para a série Delegado. Três episódios da obra, dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, ganham a tela grande no sábado (12), às 18h. O projeto chama a atenção por carregar a produção de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, nomes por trás de O Agente Secreto, um dos principais sucessos do cinema brasileiro no último ano.
Dentre as mostras paralelas, ganha destaque a seção Vozes e Lutas. O recorte dedica-se a filmes que exploram movimentos políticos e culturais, contando com a exibição de Pontos de Partida, trabalho do cineasta Silvio Tendler, falecido em setembro de 2023.
Desde 2007, o evento é reconhecido como patrimônio imaterial do Distrito Federal. A diretora-geral enfatiza que, diante de tal status, a realização do festival transcende a questão administrativa. A expectativa agora é ampliar o alcance junto ao público e fortalecer o lastro que o festival construiu ao longo de quase seis décadas — período em que, mesmo sob o regime militar ou diante das restrições da pandemia, encontrou meios de se manter vivo como um fórum essencial de debate para o audiovisual brasileiro.












