Brasília (DF) – As circunstâncias da saída do senador Flávio Bolsonaro do território nacional passaram a ser apuradas pela Polícia Federal nesta quarta-feira (28). A investigação foi aberta após o parlamentar desrespeitar uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia proibido sua saída do país e ordenado a entrega imediata dos documentos de viagem pessoais e diplomáticos.
A ordem judicial havia sido emitida a pedido da própria corporação logo após a derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno presidencial, disputado no último domingo (25). O senador responde a dois inquéritos na Corte máxima. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, envolvendo também o advogado Willer Tomaz. O segundo investiga o financiamento da produção cinematográfica Dark Horse, que aborda a trajetória de seu pai.
O deslocamento ocorreu na terça-feira (27), quando o senador atravessou a fronteira terrestre em direção à Argentina. De lá, embarcou acompanhado da esposa e das duas filhas em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos. A corporação policial apontou em comunicado oficial a ausência de registros formais de passagem por postos de controle migratório durante a saída do país.
Ainda no domingo da votação, a instituição policial havia peticionado ao STF a aplicação de medidas cautelares para evitar a evasão do parlamentar. O despacho do ministro ocorreu na sequência de declarações transmitidas nas redes sociais pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, sugerindo que Flávio saísse do Brasil em caso de derrota eleitoral para articular a oposição do exterior.
Eduardo permanece em território norte-americano, embora exista contra ele um mandado de prisão pendente de cumprimento no Brasil. O ex-deputado recebeu condenação de quatro anos de reclusão devido à articulação de sanções econômicas e barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos às exportações nacionais, em um movimento voltado a barrar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro na investigação sobre a tentativa de golpe.
As restrições impostas por Alexandre de Moraes no âmbito da Petição número 16877 do Distrito Federal incluíram a proibição de contato com os demais investigados e a retenção documental. O processo, relatado pelo próprio ministro, examina hipóteses de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Willer Tomaz, laços negados publicamente pela defesa e pelo senador.
Após a emissão da ordem de restrição, os passaportes comuns e diplomáticos brasileiros pertencentes a Flávio sofreram cancelamento, acompanhados da inserção de um alerta no sistema Sonar, ferramenta de controle migratório em postos de fronteira. A Polícia Federal pontuou que a existência de restrições documentais não configura, de forma isolada, a condição de foragido nem legitima prisões automáticas ou vigilâncias contínuas, reafirmando atuação estrita dentro dos limites legais e cumprimento de ordens judiciais.











