Rio de Janeiro (RJ) – O presidente da República rebateu, na sexta-feira (18), as declarações feitas por Donald Trump nesta semana. O norte-americano havia questionado a postura do governo brasileiro frente ao combate de facções criminosas que atuam no território nacional, culminando na designação oficial, em maio, do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
A tréplica ocorreu durante uma cerimônia oficial no Rio de Janeiro. O evento reuniu autoridades das esferas federal, estadual e municipal para apresentar os desdobramentos de convênios voltados ao fortalecimento da segurança pública. Diante do auditório, o presidente brasileiro defendeu uma estratégia clara: a retomada, pelo Estado, das áreas hoje sob controle de grupos criminosos.
Ao abordar a classificação de terrorismo imposta por Washington, o chefe do Executivo diferenciou a criminalidade comum do que ele define como terrorismo de Estado. O mandatário vinculou o termo diretamente aos acontecimentos do dia 8 de janeiro, classificando a tentativa de golpe como a verdadeira face desse fenômeno. Segundo ele, o plano que visava atingir sua própria vida, a do vice-presidente Geraldo Alckmin e a do ministro do STF Alexandre de Moraes configura um atentado contra o Estado democrático de direito.
A fala também revelou uma preocupação com a soberania sobre os recursos naturais do país. Ao mencionar a Margem Equatorial, localizada a 175 km da costa do Amapá — uma área que especialistas sugerem ser o novo Pré-Sal devido à alta qualidade do petróleo encontrado —, o presidente enfatizou que o Brasil precisa exercer vigilância rigorosa sobre suas riquezas.
O tom da declaração sugeriu uma desconfiança em relação aos interesses estrangeiros. Ao citar a busca por minérios críticos, petróleo e terras raras, o presidente sinalizou que a exploração dessas áreas estratégicas deve ser conduzida sob controle nacional, reforçando a necessidade de proteger o patrimônio brasileiro diante de pressões externas.
As tensões diplomáticas ganharam corpo no último dia 15, quando Trump criticou publicamente o que chamou de ineficiência brasileira no enfrentamento ao crime organizado. Ao refutar a narrativa do norte-americano, o presidente brasileiro buscou deslocar o foco do debate: para ele, o verdadeiro desafio à segurança interna não reside apenas no combate às facções tradicionais, mas na manutenção da integridade institucional contra investidas golpistas que, a seu ver, representam a ameaça real que o termo terrorismo deveria descrever.











