São Paulo (SP) – Uma comissão especial instalada na Câmara Municipal de São Paulo reúne-se nesta quinta-feira (29), às 16h30, para deliberar sobre a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). O estopim da crise reside em acusações de interferência direta na dinâmica do segundo turno das eleições municipais, realizado no último domingo (25).
O colegiado, composto pelos vereadores Hélio Rodrigues (PT), Luana Alves (Psol), Rubinho Nunes (União), Major Palumbo (PP), Kenji Ito (Podemos), Sandra Santana (MDB) e Sandra Tadeu (PL), tem em mãos o documento protocolado pelos parlamentares do Psol paulistano: Celso Giannazi, Amanda Paschoal e a representante da Bancada Feminista, Silvia.
A base da denúncia é a desobediência a uma determinação explícita da Justiça Eleitoral. O tribunal ordenou que a totalidade da frota de ônibus da capital paulista estivesse em operação no domingo de votação, visando garantir o acesso dos cidadãos aos seus locais de sufrágio. Contudo, o cenário observado nas ruas foi distinto: cerca de 40% dos veículos permaneceram nas garagens durante a maior parte do dia, mantendo apenas 60% da capacidade total de transporte em circulação.
O impacto prático dessa redução gerou uma onda de críticas e transtornos a eleitores, que enfrentaram dificuldades para exercer o direito ao voto. A irregularidade na prestação do serviço público sob concessão municipal serviu como o argumento jurídico central para que o grupo do Psol formalizasse a denúncia ainda no mesmo dia em que o problema foi constatado.
A tensão política extrapolou os corredores da Câmara e ganhou as ruas. Na noite de quarta-feira (29), a vereadora Luana Alves esteve à frente de um protesto realizado nas proximidades da sede da prefeitura. O movimento contra a gestão de Nunes parece longe de perder o fôlego.
Novas manifestações estão agendadas para os próximos dias, sinalizando um clima de instabilidade política na capital. Para a sexta-feira (30), um ato foi convocado na Praça Roosevelt, na região central. Já no sábado (31), o Largo da Batata, em Pinheiros, deve ser o palco de outro protesto. O desfecho das discussões na comissão desta tarde definirá se o pedido de impeachment terá prosseguimento formal ou se será arquivado pelos parlamentares.











