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Política

Flávio Bolsonaro propõe pagamento por hora como alternativa à jornada 6×1

Por Redação / Diário da Nação
19 de maio de 2026
em Política
3 mins read
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Flávio Bolsonaro propõe pagamento por hora como alternativa à jornada 6x1

📷 Tomaz Silva/Agência Brasil

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Brasília (DF) – O senador Flávio Bolsonaro, figura de destaque no PL, apresentou nesta terça-feira (19) uma alternativa para substituir os projetos que buscam encerrar a escala de trabalho 6×1. Durante uma reunião em Brasília com parlamentares de seu partido, ele defendeu uma flexibilização na Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, para que a remuneração passe a ser calculada estritamente pelas horas trabalhadas, permitindo que o próprio funcionário tenha autonomia para definir sua carga horária.

A ideia, segundo o parlamentar, visa adaptar a legislação aos novos tempos sem sacrificar garantias básicas. Ele assegurou que o modelo manteria direitos como décimo terceiro salário, férias e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. A diferença fundamental residiria no cálculo desses benefícios, que seriam proporcionais ao tempo efetivamente dedicado à função, funcionando como uma adaptação da lei às inovações tecnológicas e às novas dinâmicas do mercado.

O debate sobre o futuro das jornadas

A iniciativa surge em um momento de intensa movimentação no Congresso sobre o tema. O governo federal enviou, ainda em abril, um projeto de lei em regime de urgência para extinguir a escala 6×1. A proposta oficial sugere reduzir o limite semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de folga aos trabalhadores sem que haja qualquer redução em seus vencimentos. Enquanto sindicatos apoiam a medida, o setor patronal mantém ressalvas, e a discussão divide especialistas.

Os números refletem o peso da questão na opinião pública. Levantamentos recentes indicam que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que o salário permaneça intacto. Para o senador, contudo, a proposta levada pelo Executivo é uma manobra eleitoreira. Ele argumenta que a medida simplifica um problema complexo e pode resultar em desemprego em massa ou no aumento do custo de vida, trazendo mais prejuízos do que benefícios concretos para quem está na ponta da linha.

Flexibilidade como argumento central

O senador defende que a mudança para o pagamento por hora permitiria um cenário de escolha real. O colaborador decidiria quanto quer trabalhar, adaptando o ritmo à sua necessidade pessoal. Segundo o parlamentar, esse formato beneficiaria especialmente as mulheres, que hoje enfrentam barreiras severas para conciliar o emprego com a maternidade. Ele citou que cerca de 23% das brasileiras estão fora do mercado por não terem onde deixar os filhos, cenário que a flexibilidade horária poderia, em tese, contornar.

Essa visão, no entanto, colide frontalmente com a estratégia do governo. O Executivo enxerga o fim da escala 6×1 como uma ferramenta de equidade, essencial para aliviar a carga das mulheres, que historicamente acumulam o trabalho profissional com a gestão do lar. Dados do IBGE sobre a Pnad Contínua de 2022 mostram que elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados, quase o dobro das 11,7 horas registradas entre os homens.

Para integrantes do governo, como a secretária nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política, o problema exige uma solução focada no compartilhamento das tarefas. A ideia é que o tempo de descanso ampliado permita que os homens assumam uma parcela maior dessas responsabilidades dentro de casa, combatendo a desigualdade estrutural que vai além do ambiente corporativo. Enquanto os lados opostos apresentam visões divergentes, a tramitação legislativa segue como o próximo palco dessa disputa sobre como o brasileiro deve gastar seu tempo.

Tags: alternativaBolsonaroBrasíliaCLTDestaqueDireitos Trabalhistasescala 6x1figuraflavio bolsonarohora comojornadaPolíticapropõe pagamentosenador flávio
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