Rio de Janeiro (RJ) – O fluxo de informações entre celas e o mundo exterior passou por um bloqueio rigoroso no Rio de Janeiro. Ao longo de 50 dias, a Operação Illicitus, conduzida pela Secretaria de Polícia Penal, retirou mil aparelhos telefônicos de unidades prisionais do estado. A marca, atingida em um curto intervalo de tempo desde a intensificação das buscas em agosto, revela o tamanho do desafio enfrentado pelas autoridades para esvaziar os arsenais de tecnologia que sustentam o comando de facções criminosas a partir do cárcere.
Não foram apenas os telefones que chamaram a atenção dos investigadores. O balanço das inspeções aponta a apreensão de mais de 20 quilos de entorpecentes, além de uma série de acessórios essenciais para a conectividade irregular: carregadores, roteadores e modems. O nível de sofisticação tecnológica chamou a atenção na última semana, quando as equipes localizaram uma antena Starlink dentro de uma das unidades, ilustrando a busca constante por acesso à rede mesmo sob o rigor do sistema penitenciário.
A força-tarefa, que integra setores de inteligência, corregedoria e o braço operacional da instituição, atua tanto por meio de cronogramas fixos quanto em varreduras surpresa. O resultado dessas investidas desdobrou-se em 14 prisões em flagrante no período. Entre os detidos, 12 pessoas foram capturadas na tentativa de ingressar com os materiais ilícitos durante visitas. O episódio mais sensível, contudo, envolve dois policiais penais, que acabaram flagrados em meio ao esquema, evidenciando as dificuldades impostas pela corrupção interna no controle do acesso às unidades.
O foco central da estratégia é minar a estrutura do crime organizado. Segundo a pasta responsável, a presença de aparelhos móveis dentro das galerias é o motor que permite a articulação direta entre criminosos presos e seus comandados nas ruas. Cortar esse canal de comunicação é, na visão da Secretaria de Polícia Penal, uma etapa indispensável para reduzir a capacidade de planejamento de atos ilícitos que impactam diretamente a segurança da população fluminense.
Para sustentar a pressão sobre o sistema, a utilização de equipamentos tecnológicos avançados tem sido empregada para otimizar as revistas. A promessa da instituição é de continuidade. O monitoramento das unidades prisionais deve seguir em regime intensificado, com a manutenção das operações e a vigilância permanente contra a entrada de objetos proibidos, fechando o cerco para impedir a renovação dos estoques de comunicação encontrados pelos agentes.










