Brasília (DF) – Os índices de destruição florestal apresentaram um recuo expressivo em maio de 2026. Segundo levantamento do Deter, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, a Amazônia registrou uma queda de 60% na área desmatada em comparação ao mesmo mês do ano anterior. O Cerrado acompanhou a tendência, com redução de 12% no mesmo recorte temporal.
Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (11), em Brasília, servindo de base para um discurso contundente do governo federal contra as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a divulgação dos números para questionar a justificativa americana, que utiliza o desmatamento no Brasil como pretexto para elevar tarifas sobre produtos nacionais.
Lula sinalizou que pretende enviar as estatísticas de preservação diretamente às autoridades comerciais americanas. O objetivo é confrontar a narrativa usada pela Casa Branca. Segundo o presidente, as acusações sobre a falta de empenho brasileiro na proteção ambiental carecem de fundamento frente aos resultados atuais, e ele reafirmou a meta de atingir o desmatamento zero até 2030.
O tom do discurso subiu ao tratar da relação direta com Donald Trump. Ao comentar a postura do líder americano, o presidente brasileiro afirmou que a disputa atual não é bélica, mas narrativa. Lula criticou a tentativa de Washington de ditar diretrizes globais de maneira impositiva. “Você não foi eleito para ser imperador do mundo”, disparou, sublinhando que o Brasil não aceita pressões que ignorem o comportamento civilizado nas relações internacionais.
No campo técnico, os números do período consolidado reforçam o cenário de otimismo oficial. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, a Amazônia acumulou um declínio de 37,5% no desmatamento em relação ao intervalo anterior. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou o cenário como um marco histórico para o bioma.
Para Capobianco, o patamar alcançado é o mais baixo já contabilizado pelo sistema. A expectativa do ministério é fechar o ciclo de 12 meses, que encerra em 31 de julho, com os menores números de devastação desde o início da série histórica. No Cerrado, o cenário também é positivo: o acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026 aponta queda de 8,2% sobre o período passado, índice que se aproxima dos 30% quando o comparativo recua até 2024.
A ofensiva diplomática e a exposição dos dados do Deter buscam desarmar o argumento central da política tarifária de Washington, transformando a preservação ambiental em um ativo central na mesa de negociações entre as duas maiores economias do continente.


























































































