Cachoeiro do Itapemirim (ES) – O Instituto Sou da Paz apresentou nesta terça-feira (9) um novo conjunto de diretrizes para o pleito deste ano, batizado de Brasil em Ação pela Paz. A iniciativa não surge para oferecer soluções mágicas, mas para forçar os postulantes a cargos públicos a saírem do terreno das frases feitas e do populismo barato. O objetivo é claro: exigir que as campanhas entreguem compromissos técnicos e metas transparentes para conter a escalada da criminalidade.
Diretora-executiva da organização, Carolina Ricardo observa que a sociedade esgotou sua paciência com improvisos. O eleitor, segundo ela, busca resultados tangíveis no dia a dia. Embora os indicadores nacionais apontem para uma redução pontual nos índices de homicídios, a realidade brasileira ainda sangra com mais de 44 mil mortes violentas registradas todos os anos. A esse cenário, somam-se a capilaridade crescente das facções, o aumento de extorsões virtuais e a sensação permanente de insegurança ao caminhar pelas ruas.
A agenda está estruturada em cinco pilares centrais: o combate à violência contra mulheres e meninas, a reforma estrutural das polícias, o estrangulamento financeiro do crime organizado, a mitigação de roubos e o desarmamento. Para o Sou da Paz, a solução não passa por inchar as corporações, mas por capacitá-las. Prova disso é que 65% dos brasileiros, conforme pesquisa interna do instituto, defendem que o país precisa de policiais mais preparados, e não necessariamente de um contingente maior.
A tecnologia também ocupa um lugar de destaque no debate. A maioria dos consultados — cerca de 82% — enxerga nas câmeras corporais um mecanismo duplo: elas blindam o bom profissional e geram provas sólidas contra o crime. Por outro lado, 73% da população entende que a maior circulação de armas de fogo atua como um catalisador da violência.
A estratégia proposta para enfrentar o crime organizado ignora o foco exclusivo no tráfico de drogas. O instituto defende uma ofensiva contra o fluxo financeiro das facções. Nos últimos três anos, organizações criminosas movimentaram uma cifra superior a R$ 350 bilhões, abrangendo desde o garimpo ilegal até o comércio ilícito de combustíveis e bebidas. A recomendação é que o Estado aperfeiçoe a integração entre Receita Federal, Polícia Federal e Banco Central para desmantelar lavagem de dinheiro.
Essa infiltração do crime na economia tem desdobramentos diretos na estabilidade das instituições. O documento aponta um salto de 335% nos casos de violência política nos últimos três anos, um dado que acende o alerta para a integridade da democracia brasileira. Apenas nos primeiros meses de 2022, o país contabilizou 45 homicídios ligados a esse contexto.
A proposta de reordenamento policial sugere que incursões em territórios devem ser a exceção, e não a regra. A prioridade, defendem os especialistas, deve ser a inteligência investigativa e o fortalecimento das perícias. A ideia é transformar o clamor das ruas — onde 94% das pessoas reconhecem conviver com a violência e 31% evitam usar o celular por medo de roubo — em políticas públicas duradouras que superem o ciclo eleitoral.






























































































